Com temores externos e queda de commodities, Ibovespa recua 2,27%

Possibilidade de aperto monetário nos EUA e indicadores trazem apreensão aos investidores; TIM lidera perdas

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A quinta-feira (17) foi negativa nas principais bolsas do mundo, que recuaram penalizadas pelas expectativas de um aperto monetário por vir nos EUA e pela queda no preço das commodities.

Neste cenário, o Ibovespa encerrou o pregão com forte queda de 2,27%, a 67.067 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 7,353 bilhões.

Da mesma forma, os índices em Wall Street fecharam no campo negativo. As principais bolsas europeias também reagiram mal ao comunicado do Fed emitido na véspera, além de decepção com as vendas no varejo no Reino Unido, e encerraram o dia em queda.

Na quarta-feira o Fed confirmou as projeções de manutenção do juro básico norte-americano, mas surpreendeu ao mostrar-se otimista quanto à recuperação econômica, o que despertou o temor de que uma política monetária contracionista esteja por vir.

Ainda sobre a autoridade norte-americana, o Comitê Bancário do Senado aprovou a nomeação do atual presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, para continuar no cargo por mais quatro anos.

O setor financeiro foi destaque nos EUA, após a analista independente Meredith Whitney diminuir suas projeções de ganhos para o Goldman Sachs (-2,46%) e Morgan Stanley (-4,02%). O Citigroup (-6,67%) também atraiu atenções após o banco captar US$ 17 bilhões com sua oferta de ações, com precificação abaixo do esperado e o Tesouro sinalizar a venda de sua participação no capital do banco.

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No cenário local, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) trouxe mudanças no panorama da economia brasileira. Segundo a LCA Consultoria, a mudança mais evidente ocorreu na percepção da autoridade monetária quanto ao grau de ociosidade de recursos produtivos. Também chamou a atenção a alta na projeção para o IPCA de 2009 e 2010.

Na agenda, referências divergentes: o número de pedidos de auxílio-desemprego inesperadamente subiu na última semana, ao passo que a produção industrial na região da Filadélfia mostrou-se maior que o esperado em dezembro.

Já o Leading Indicators registrou variação positiva de 0,9% no mês de novembro. O índice veio acima das expectativas do mercado, que projetava um avanço de 0,7%.

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No plano doméstico, atenção à inflação e política monetária. O IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor – Fipe) desacelerou e o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) trouxe variação negativa. A ata do Copom, contudo, foi a principal referência para os investidores no País.

Bolsa
Em uma sessão bastante negativa na bolsa brasileira, os papéis ordinários da TIM estão entre as principais quedas. Além do mau humor nos mercados, a movimentação reflete em parte os dados divulgados pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que mostraram crescimento no número de acessos móveis no País em novembro. A TIM permanece em terceiro no market share, atrás da Vivo (que também sofreu forte desvalorização no pregão) e da Claro.

Após a disparada na sessão da véspera, os papéis da TAM figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. Fibria, Natura, Gafisa e Banco do Brasil também tiveram forte recuo no pregão.

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Contribuindo para o desempenho negativo do Ibovespa, as ações da Vale sofreram forte queda na sessão. Além do recuo das commodities, a mineradora negou os rumores de que estaria envolvida em negociações de preço do minério de ferro em 2010 com siderúrgicas chinesas. A mineradora afirmou ainda que está desenvolvendo uma estratégia de longo prazo para elevar sua competitividade no mercado asiático.

Outra empresa penalizada pelas commodities é a Petrobras, que viu seus papéis fecharem forte queda.

Por outro lado, as ações da CPFL se destacaram entre as altas, assim como os papéis da CCR, Ambev, ALL e Embraer.

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A Cielo, nova denominação da antiga Visanet, também viu suas ações sofrerem desvalorização após a companhia chegar a um acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no qual se compromete a adotar medidas que propiciem a entrada de novos competidores no mercado de cartões, tais como a divulgação dos critérios de credenciamento da bandeira Visa.

Dólar
O dólar comercial disparou ao longo desta quinta-feira, fechando a sessão com forte alta de 2,34% – maior valorização desde 20 de outubro deste ano -, cotado na venda a R$ 1,792 – maior cotação desde 29 de setembro.

Mesmo com a trajetória positiva do dólar, o Banco Central voltou a comprar dólares no mercado à vista. O leilão de captação foi realizado entre 14h53 e 15h03 (horário de Brasília), com uma taxa aceita de R$ 1,791.

Renda Fixa
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta quinta-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,41%, queda de 0,08 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,20% de seu valor de face, queda de 0,21% em relação ao fechamento anterior.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 216 pontos-base, alta de 15 pontos em relação ao fechamento anterior.

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