Com temor sobre medidas do governo, Ibovespa tem sua 3ª baixa consecutiva

Índice cai 1,82% com investidores repercutindo a possibilidade de novas tentativas do governo em conter o crédito e a alta do real

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SÃO PAULO – Com o temor dos investidores quanto a possibilidade de o governo instaurar novas medidas macroprudencias e também restrições adicionais no mercado de câmbio para conter a queda do dólar, o Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (10) em queda de 1,82%, aos 66.040 pontos. Esta foi a terceira baixa consecutiva do principal índice de ações da BM&F Bovespa. O giro financeiro do pregão ficou em R$ 7,56 bilhões.

Por aqui, as medidas de contenção do crédito já vem sendo especuladas há um certo tempo, no entanto, a Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta quinta-feira contribuiu para aumentar as expectativas quanto a proximidade de um anúncio por parte do governo brasileiro. 

Além disso, a performance do benchmark seguiu o movimento de baixa visto nos principais mercados internacionais, pressionados por números desfavoráveis nas economias norte-americana e chinesa, corte do rating da Espanha e ainda a repercussão das manifestações populares na Líbia e na Arábia Saudita.

Destaques do Pregão
As ações de bancos figuraram na ponta vendedora do Ibovespa, repercutindo as informações contidas na ata da última reunião do Copom. Destaque aos papéis de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, que caíram mais de 3% cada.

As ações da Vale também mostraram perdas nesta quinta-feira, pressionadas não só pelo sentimento negativo que domina todo o mercado, mas também impactadas pela balança comercial chinesa. As ações da Bradespar, holding que detém grande participação no capital da mineradora, também cederam forte. Outras produtoras de commodities, como Fibria, OGX e MMX, também reagiram mal aos dados da China.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 19,00 -5,00 -5,00 358,89M
 FIBR3 FIBRIA ON 23,10 -4,27 -12,80 33,27M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EDJ 34,82 -3,84 -11,05 386,74M
 BBDC4 BRADESCO PN ED 30,22 -3,70 -7,05 171,51M
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 18,93 -3,52 -16,05 34,06M

Por outro lado, o fato de a ata do Copom ter sinalizado maior possibilidade de novas medidas macroprudenciais ao invés de uma alta no juro mais agressiva parece repercutir positivamente entre as ações do setor imobiliários, com MRV, Rossi, Cyrela, Brookfield, Gafisa e PDG Realty resistindo à pressão vendedora.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RSID3 ROSSI RESID ON 13,20 +2,96 -10,75 38,05M
 BTOW3 B2W VAREJO ON 25,79 +2,75 -18,13 18,17M
 MRVE3 MRV ON 13,20 +2,64 -15,44 47,09M
 LREN3 LOJAS RENNER ON 51,15 +1,69 -9,31 59,58M
 CCRO3 CCR SA ON 48,35 +1,51 +3,09 40,57M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 46,06 -3,30 1,27B 653,93M 27.534 
 PETR4 PETROBRAS PN 28,12 -1,51 640,48M 685,99M 22.670 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EDJ 34,82 -3,84 386,74M 234,55M 16.730 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 19,00 -5,00 358,89M 303,03M 18.676 
 VALE3 VALE ON 52,10 -2,83 306,29M 140,02M 8.749 
 PETR3 PETROBRAS ON 32,10 -2,16 266,51M 180,37M 9.684 
 BBAS3 BRASIL ON 28,01 -2,91 254,91M 180,32M 13.395 
 BBDC4 BRADESCO PN ED 30,22 -3,70 171,51M 150,39M 10.668 
 GGBR4 GERDAU PN 21,50 -2,27 118,56M 128,43M 9.840 
 BRAP4 BRADESPAR PN 40,50 -2,88 116,57M 34,05M 3.676 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Copom
A divulgação da ata do Copom foi o destaque da agenda, com o comitê avaliando que o quadro inflacionário “não evoluiu favoravelmente” desde sua reunião no primeiro mês do ano, uma mudança em relação à redação do documento anterior, em que constava que a inflação havia “evoluído desfavoravelmente”.

Comentando a respeito da decisão de aumentar a taxa Selic – que agora está em 11,75% ao ano -, o Copom tomou a decisão “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias”. A sinalização de que novas medidas macroprudenciais podem ser adotadas e os comentários positivos sobre os cortes no Orçamento do Governo também foram destaque da Ata.

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Também na agenda doméstica, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) registrou aceleração da inflação na primeira semana de março marcando variação positiva de 0,59% nos preços, taxa 0,10 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior. Os dados foram divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta quinta-feira.

China e Estados Unidos
Ainda na sessão, as duas maiores economias mundiais reportaram números ruins. Na China, a balança comercial indicou um déficit de US$ 7,3 bilhões no mês de fevereiro, surpreendendo o mercado.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio do país também divulgou sua balança comercial, que reportou déficit acima do esperado pelo mercado, em US$ 46,3 bilhões. Outro indicador norte-americano a registrar situação pior do que se esperava foi o Initial Claims, que mede os novos pedidos de seguro-desemprego no país, com elevação para 397 mil, ante as projeções de 382 mil.

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Ainda nos EUA, o orçamento do governo norte-americano registrou déficit de US$ 222,5 bilhões em fevereiro, pior do que as projeções feitas pelo mercado, de uma cifra negativa de US$ 196 bilhões. Este é o vigésimo nono mês consecutivo de saldo negativo do Treasury Budget.

Espanha, Líbia e Arábia Saudita
Nesta manhã a agência Moody’s anunciou corte em um nível do rating soberano da Espanha, de Aa1 para Aa2, mantendo perspectiva negativa para a nota, frente à continuidade da fragilidade na posição fiscal do país. De acordo com a analista Kathrin Muehlbronner, o downgrade resulta principalmente da expectativa de que os custos com a reestruturação de bancos exceda as atuais projeções, levando ao aumento da relação dívida/PIB no futuro.

A Moody’s ainda se mostrou preocupada com a capacidade do governo espanhol em implementar mudanças “estruturais e sustentadas” nas finanças públicas, dadas as dificuldades que o poder central possui em controlar as finanças de regiões autonomas, bem como o crescimento econômico apenas “moderado” no médio prazo.

Além disso, a agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor´s) reduziu em quatro níveis o rating de longo prazo em moeda estrangeira da Líbia, que passa de ‘BBB+’ para ‘BB -‘ perdendo, assim, o status de grau de investimento e passando à ala de notas enquadradas como grau especulativo. A S&P também suspendeu a cobertura do país, alegando a falta de informações econômicas e políticas confiáveis.

A Arábia Saudita ocupou o noticiário de países que passam por manifestações populares contra seus governos. A agência de notícias Associated Press relatou tiros no leste do país, principal exportador de petróleo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Segundo a fonte, a polícia saudita teria aberto fogo contra protestantes no leste do país, numa tentativa de impedir manifestações. De acordo com uma testemunha, tiros e granadas teriam sido disparados contra duas centenas de pessoas na cidade de Qatif. Oficiais do governo, por sua vez, já avisaram que irão enfrentar com pulso firme caso ativistas decidam ir para as ruas pedindo mais democracia.

Dólar
O dólar comercial voltou a fechar em alta, desta vez de 0,24%, terminando a quinta-feira cotado na venda à R$ 1,661. Por aqui, o BC realizou duas intervenções para compra da divisa norte-americana no mercado à vista, a primeira entre às 11h28 e às 11h33, com taxa de corte aceita em R$ 1,6603. A segunda teve início às 15h42 e término as 15h47, com uma taxa de corte aceita em R$ 1,6615. 

Pressionou também o rumor de que o governo teria preparado ao longo do Carnaval novas medidas na área cambial, para conter a valorização do real frente ao dólar.

O BC aproveitou a sessão para a divulgação de novos dados sobre o fluxo cambial, incluindo o acumulado no segundo mês do ano, quando foi registrado superávit de US$ 7,419 bilhões, e também o resultado dos quatro primeiros dias úteis de março, com superávit de US$ 1,424 bilhão. Ademais, as reservas internacionais da autoridade monetária somavam US$ 310,083 bilhões na última sexta-feira e a posição de câmbio dos bancos ao final de fevereiro era vendida em US$ 12,702 bilhões.

Renda Fixa
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, os principais contratos fecharam em baixa. O contrato de juros de maior liquidez nesta quinta-feira, com vencimento em janeiro de 2012, registrou uma taxa de 12,35%, 0,19 ponto percentual abaixo do fechamento de quarta-feira.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,05% em relação ao fechamento anterior, a 134,75% do valor de face.

Já o indicador de risco-País teve variação positiva de nove pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 168 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em baixa de 1,89% e atingiu 1.295 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Dow Jones desvalorizou-se 1,87% a 11.985 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 1,84% a 2.701 pontos.

Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou baixa de 1,55% e atingiu 5.845 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt desvalorizou-se 0,96% chegando a 7.063 pontos e o CAC 40, da bolsa de Paris, caiu 0,75% a 3.964 pontos.

Confira os eventos previstos para sexta-feira
Na agenda da próxima sessão, ganha destaque a divulgação do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) referente a primeira quadrissemana de março. O indicador é apresentado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Também na cena inflacionária doméstica, o dia vai contar com o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) do primeiro decêndio deste mês.

Lá fora, os investidores avaliarão o volume de vendas no varejo norte-americano em fevereiro, assim como os estoques do setor varejista dos Estados Unidos no primeiro mês deste ano.  A sessão de sexta-feira (11) vai contar ainda com a primeira prévia da confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan em março.