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SÃO PAULO – Após anos de tendência de desvalorização contínua, rompendo por diversas vezes seu menor patamar, o rumo do dólar comercial nos próximos meses e em 2008 vem sendo ponto de discussão entre os analistas.
É importante ressaltar ainda que tal movimento de depreciação do dólar se apresenta em diversos mercados cambiais internacionais, e por diversos motivos macroeconômicos. Contudo, no Brasil, este se dá primariamente pelo ainda expressivo saldo comercial e pelo diferencial de juros doméstico e externo.
Em contrapartida, as tensões em torno do subprime, que recentemente voltaram à cena com empresas reportando perdas acima do esperado, elevam o grau de aversão ao risco entre os investidores mundiais e levantam a possibilidade da trajetória de fortalecimento do real estar com seus dias contados.
UBS aconselha cautela
Para os analistas do banco de investimentos UBS, o momento de abarrotamento que vive o mercado cambial brasileiro tende a ampliar as oscilações decorrentes do aumento do grau de aversão ao risco.
Nem as expectativas de ingresso de recursos estrangeiros por meio das ofertas públicas de ações previstas para dezembro tendem a amenizar tal efeito. “Esperamos um influxo de US$ 5 bilhões no período, US$ 1 bilhão abaixo do anteriormente previsto, redução esta ocasionada em grande parte pela crise norte-americana”.
Apesar de reconhecer que, mesmo que menor do que o projetado, o ingresso de recursos em dezembro tende a sustentar uma trajetória de desvalorização do dólar, a equipe do UBS prefere adotar uma postura de cautela, dadas as previsões de turbulências externas no curto prazo.
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Tendência latino-americana
Partindo de uma análise comparada entre os mercados cambiais latino-americanos, os analistas do HSBC acreditam que a tendência de valorização das moedas do continente frente ao dólar norte-americano deve se manter no médio prazo, com a inflação mundial em ritmo crescente.
Contudo, a equipe do banco não descarta flutuações em razão do aumento do grau de risco, especialmente entre os investidores norte-americanos.
Especificamente em relação ao câmbio brasileiro, o HSBC ressalta a postura mais discreta que o Banco Central vem adotando nos últimos meses, em contraste com sua tendência mais agressiva de intervenções no mercado cambial até julho deste ano.
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Entretanto, cabe notar que a valorização do real vem se mantendo, apesar dos solavancos na cena financeira internacional, o que demonstra uma maior resistência da moeda brasileira frente às tensões externas e à demanda doméstica ascendente.