Com sinal atrasado, Ibovespa sobe mais de 1% nesta volta de feriado

Alta dos ADRs na véspera, discurso de Bernanke às 15h, decisão do Copom a noite e queda surpreendente das exportações chinesas repercutem

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SÃO PAULO – Digerindo os ganhos das bolsas internacionais e dos ADRs (American Depositary Receipts) na última terça-feira – quando a BM&FBovespa estava fechada por conta do feriado no estado de São Paulo – o Ibovespa abriu em alta quarta-feira (10), apresentando ganhos de 1,27%, a 45.649 pontos, segundo cotação das 10h38 (horário de Brasília). No dia em que o sinal do Ibovespa sofreu um “atraso” de 20 minutos, os investidores aguardam o discurso do presidente do Fed e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), investidores e digerem a queda surpreendente das exportações chinesas em junho.

Embora as ações negociadas na Bovespa tenham iniciado o pregão normalmente às 10h, o primeiro sinal de cotação do índice só apareceu às 10h20. Procurada pelo Portal InfoMoney, a assessoria de imprensa da BM&FBovespa explicou que houve um problema no sistema responsável pelo cálculo do Ibovespa, mas que foi solucionado assim que o erro foi identificado.

Na véspera, os mercados internacionais mostraram ganhos após o resultado melhor que o esperado da Alcoa no segundo trimestre, dando início à temporada de balanços corporativos nos EUA. O Brasil Titans 20, índice que acompanha os principais ADRs negociados em Wall Street, subiu 0,96%, com destaque para os recibos de ações da Copel (CPLE6), que dispararam 7,16%, para US$ 13,17, após o anúncio da aprovação pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) do parcelamento do reajuste médio de 14,61% da companhia. Nesta quarta, os papéis da elétrica negociados na Bovespa digerem os ganhos vistos na véspera e sobem 6,77%, para R$ 29,50.

Tambem figuram entre as maiores altas do índice as ações da Gol (GOLL4, R$ 6,82, +5,57%), OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,55, +5,77%), Sabesp (SBSP3, R$ 22,26, +3,68%) e B2W (BTOW3, R$ 8,70, +2,96%). No lado negativo, aparecem a imobiliária Rossi (RSID3, R$ 2,56, -1,16%) e a Oi (OIBR4, R$ 3,61, -0,55%).

Bernanke falará às 15h
Os mercados aguardam com apreensão 
a ata da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) às 15h (horário de Brasília), que será seguida pelo discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. A importância do pronunciamento está na possibilidade de Bernanke dar novas sinalizações sobre uma possível retirada de estímulos do país.

O ponto-chave no discurso de Bernanke está na possível retirada do QE3, a 3ª fase do programa de estímulo econômico do governo norte-americano, que consiste na compra mensal de até US$ 85 bilhões em títulos públicos. O programa não tem prazo para terminar, com a retirada ocorrendo apenas quando a taxa de desemprego do país convergir para a faixa entre 6% e 7% e a inflação voltar para 2%.

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“O discurso de Bernanke deve ser mantido, mas a cada nova fala dele os investidores passam a realizar novas projeções de quando a economia deve atingir o cenário apontado por ele para a reduação do QE3, o que mexe com o mercado futuro e com o câmbio”, explica o economista Felipe Queiroz, da Austin Ratings.

Diante disso, as bolsas internacionais operam em “stand by” nesta manhã, com a Europa registrando perdas entre 0,5% e 1,0%, enquanto os índices acionários dos EUA operam próximo da estabilidade. Vale mencionar que tanto Europa quanto EUA tiveram bons ganhos na última terça-feira.

China: dados “ruins” da China animam mercados
Repercute também os dados surpreendentemente negativos da balança comercial de junho, trazendo mais um sinal de alerta para a atual situação econômica do gigante asiático – e aumentando a pressão sobre o governo para um possível afrouxamento monetário. A queda nas exportações foi a primeira desde janeiro de 2012.

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As importações recuaram 0,7% por cento, ante expectativa de aumento de 8%, enquanto a China teve um superávit comercial de US$ 27,1 bilhões, informou a administração de alfândega, em linha com os US$ 27 bilhões esperados. Os dados de exportação de junho seguem a restrição ao uso de dados falsos que exageraram as exportações mais cedo neste ano, e podem agora refletir o cenário real, disseram autoridades da alfândega.

Com a má notícia aumentando as chances de estímulo na economia chinesa, as bolsas da China registraram alta de mais de 2% nesta quarta-feira.

FMI “puxa a orelha” do Brasil
Do lado negativo, esteve o corte de projeções para a economia global pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). A instituição cortou as projeções de crescimento para a economia global em 0,2 ponto percentual para 2013 e 2014, esperando que a atividade registre alta de 3,1% neste ano e 3,8% no próximo, em meio ao enfraquecimento da economia dos emergentes e a continuidade da crise na zona do euro.

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Neste cenário, destaque para o Brasil, que viu suas projeções para o PIB caírem de 3% em 2013 para 2,5%. A agência de classificação de risco Fitch Ratings também vê o País registrando esta alta do PIB no ano. Para 2014, a a revisão do FMI foi ainda maior, com as projeções caindo de 4% para 3,2%. 

Copom deve elevar Selic
Fechando as referências desta quarta-feira,
 teremos nesta noite o fim da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). A expectativa quase que unânime do mercado é de que o comitê eleve a taxa básica de juro brasileira, a Selic, em 0,5 ponto percentual, dos atuais 8% para 8,5% ao ano. 

A equipe macroeconômica do Itaú, chefiada por Ilan Goldfajn, ressalta que a desvalorização do real frente ao dólar e o risco de inflação poderiam acelerar o passo de ajustes para cima na Selic, para 0,75 ponto percentual. Contudo, em meio aos números fracos da economia e com a inflação mostrando alguma desaceleração, uma alta de 50 pontos-base deve ser a opção escolhida.

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Após o encontro de hoje, a equipe do Itaú acredita que haverá mais duas altas na Selic em 2013: uma de 0,50 ponto percentual e um ajuste final de 0,25 p.p. durante o ano, encerrando o ano em 9,75% ao ano.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers