Com semana mais curta, Ibovespa depende de cena externa para seguir em alta

Para analistas, pausa na temporada de balanços não diminui volatilidade, pois mercado está de olho em notícias lá de fora

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SÃO PAULO – A próxima semana terá só dois dias e meio de pregão (por causa do feriado de Carnaval) no Brasil. Ainda assim, não há sossego à vista para o investidor. André Mello, analista sênior da TOV Corretora, aposta em melhora para o índice, baseado em eventos do cenário externo, mas faz uma ressalva: é difícil fazer previsões para uma semana atípica, mais curta.

Raffi Dokuzian, superintendente de renda variável do Banif, concorda e diz acreditar que a semana deve continuar a trazer altas para o Ibovespa, mas a perspectiva depende muito de notícias do front externo, em especial da Europa.

“Esses gargalos muito fortes que o mercado atravessou, principalmente com os problemas da Europa, devem se dissipar, já que vemos a Europa bastante sensibilizada de que é preciso ajudar os países que estão momentaneamente com dificuldades”, afirmou. 

Assim, a minuta da reunião do Bank of England ganha um destaque a mais na agenda dessa semana, pois é a Europa falando, avalia Dokuzian. E completa o raciocínio: ainda que a Inglaterra não faça parte da Zona do Euro, os olhos do mundo inteiro estão especialmente voltados para os dados do Velho Continente.

FOMC
André Mello destaca o peso da ata do FOMC (Federal Open Market Comittee) para as negociações da próxima semana. Mello acredita que o recado deve trazer indícios de que a autoridade monetária manterá os juros básicos próximos a zero, mas poderá tomar medidas para que não haja uma bolha por causa do excesso de liquidez.

China
Outro foco é a China, que vem adotando precauções para evitar o superaquecimento de sua economia. A mais recente foi o aumento no compulsório chinês, que trouxe certa instabilidade para o Ibovespa nesta sexta-feira (12).  Por outro lado, é um indicador de que o gigante asiático está com demanda acelerada por commodities, o que beneficia o mercado brasileiro, avalia André Mello. Raffi Dokuzian também miniminiza o impacto da decisão: “são medidas pontuais do governo para que a China tenha um crescimento mais moderado”.

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Trégua?
E com o peso crescente do noticiário internacional no rumo do Ibovespa, a trégua na temporada de divulgação de resultados não deve trazer muito alívio. “O fator mais importante é o mercado externo, e não os resultados daqui, que na minha opinião têm vindo muito bons”, diz o superintendente da TOV. Mello segue a mesma linha de raciocínio e cita o exemplo do Vale (VALE5), que trouxe resultado ruim, e no entanto a receptividade foi boa.

“Isso porque o mercado está olhando o que pode vir a acontecer em relação a preços contratados, como a tentativa de mudar o cálculo para ajuste de preços, baseando-se mais no mercado spot, o que é bom para a empresa”, conclui.