Com saída da Petrobras do ISE, fundos ‘sustentabilidade’ devem sofrer mudanças

HSBC, Bradesco e outros gestores são obrigados a seguir índice, enquanto que carteira dos fundos do Itaú é mais flexível

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SÃO PAULO – Embora 2008 deva se confirmar como um ano turbulento ao mercado brasileiro de fundos de investimentos, a indústria mantém sua trajetória de amadurecimento, refletida, entre outros elementos, na diversificação dos diferentes tipos de fundos existentes, permitindo ao investidor pulverizar melhor os riscos de suas aplicações.

Entre as categorias de fundos que debutaram no mercado neste ano está a de “fundos ações sustentabilidade/governança”, baseada principalmente no índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BM&F Bovespa, que por sua vez, é baseado em papéis de empresas altamente comprometidas com o meio ambiente e a responsabilidade social.

De acordo com dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), ao final de outubro deste ano, o segmento apresentava ao todo 29 fundos, com um patrimônio líquido (PL) total de R$ 1,067 bilhão. Montante pequeno, mas que já chega perto de categorias consagradas como a “previdência referenciado DI”, com um PL de R$ 1,25 bilhão.

Exclusão gerou surpresa

No entanto, os fundos “sustentabilidade/governança” estão prestes a viver uma profunda mudança em seus portfólios. Na última segunda-feira (1), entrou em vigor a nova carteira do ISE, que deve valer até 30 de novembro de 2009. E o índice sofreu diversas alterações em relação ao período anterior – a maior delas, a exclusão dos papéis da Petrobras (PETR4, PETR3).

As ações da petrolífera correspondiam por nada menos do que 23% da carteira teórica anterior do ISE e eram uma grande aposta dos gestores de fundos “sustentabilidade/governança”. Não à toa, a saída da estatal do índice gerou grande repercussão no mercado. “A Petrobras sempre nos concedeu apresentações acerca de sua política ambiental e estávamos bastante tranqüilos em relação a isto”, afirma Valter Mendes, gestor de renda variável do Itaú.

A própria empresa também manifestou, à época, estranheza quanto a seus papéis terem sido retirados do índice. “A companhia repudia toda e qualquer acusação infundada, como a de que não está cumprindo a legislação vigente em relação à qualidade dos combustíveis comercializados no Brasil”, afirmou a Petrobras, cuja exclusão teria sido ocasionada pelo não cumprimento da resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que demanda a produção de diesel com menor quantidade de partículas de enxofre.

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Mudanças em portfólios

De qualquer forma, a estatal não faz mais parte do ISE – e, por conseguinte, da maioria dos fundos “sustentabilidade/governança”. Entre os administradores que já retiraram suas aplicações nos papéis da Petrobras estão o Bradesco e o HSBC, cujos fundos no segmento devem, por definição, obedecer rigorosamente às alterações no ISE.

Por sua vez, outros gestores tomam o índice apenas como referência. É o caso do Itaú, que administra nove fundos diferentes na categoria, mas que, ao contrário do HSBC e do Bradesco, adota o ISE apenas como um parâmetro na escolha dos papéis selecionados. Tal tarefa é prerrogativa de um conselho consultivo, formado por doze membros ligados à questão da responsabilidade social.

“A saída da Petrobras do ISE será avaliada por nosso conselho na próxima quinta-feira. No entanto, é difícil traçar quaisquer perspectivas se as ações serão mantidas ou não em nossos fundos”, afirma Valter Mendes. A equipe do Real também não acompanha necessariamente as alterações no ISE, até porque, seus fundos “sustentabilidade/governança” surgiram antes da criação do índice pela BM&F Bovespa.

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Novas oportunidades

Se a exclusão da Petrobras pode provocar uma reviravolta nos portfólios dos fundos da categoria, por outro lado, a nova carteira do ISE também traz novas oportunidades, como o ingresso dos ativos de Duratex, TIM, Telemar, Unibanco, OdontoPrev e Celesc, no lugar dos papéis de Aracruz, Copel, Petrobras, WEG, CCR Rodovias e Iochpe-Maxion.

O ISE foi criado em dezembro de 2005, com base no conceito internacional TBL (Triple Botton Line), que avalia de forma integrada elementos ambientais, sociais e econômico-financeiros. Aos princípios do TBL, foram inclusos ainda indicadores sobre governança corporativa, características gerais e natureza do produto. As participantes da nova carteira foram selecionadas entre as 51 corporações que responderam ao questionário desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas, enviado às 137 empresas emissoras das 150 ações mais líquidas da bolsa brasileira.