Com risco, mas sem pânico: ganhar com a volatilidade do mercado é possível

As dicas para operar no curto prazo são acompanhar poucos papéis, escolher nomes mais líquidos e não se desesperar

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SÃO PAULO – Embora mais amena do que na segunda metade de 2008, quando os índices saíam de altas de 5% para quedas de 10%, a volatilidade ainda é presença obrigatória no mercado acionário doméstico, sendo muitas vezes encaradas com pânico. Porém, se o investidor for capaz de controlar os ânimos, as fortes oscilações da bolsa paulista podem ser vistas como uma boa oportunidade de lucro a curto ou curtíssimo prazo.

Por exemplo, as ações preferenciais da Petrobras chegaram a atingir R$ 16,89 em 21 de novembro, quando fecharam com queda de 8%. No dia seguinte, subiram 13,9%, para R$ 19,23. Apesar das oscilações terem menor magnitude agora, as possibilidades de ganho continuam. Em 3 de março, os papéis da empresa fecharam a R$ 24,80, subindo 6,3% no dia seguinte, para fecharem em R$ 26,37.

Olhando para trás, a oportunidade fica clara. Olhando para frente, entretanto, deve-se considerar que o risco é tão grande quanto a possibilidade de ganhos. “Com certeza tem como ganhar, mas a probabilidade de acerto é a mesma de erro”, ressalta Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora. Para entrar no jogo, é preciso estratégia, coração e um pouco de sorte.

Saber ganhar e perder

“Para o investidor poder aproveitar a volatilidade, a primeira coisa que ele tem que ter é disciplina. Isso seria uma das coisas mais importantes”, explica Clodoir Vieira, economista-chefe da Souza Barros Corretora. “Ele tem que deixar claro para si mesmo alguns pontos. O primeiro é saber qual a possibilidade do stop financeiro dele; ele tem que saber quanto pode perder. O segundo ponto é saber quanto quer ganhar”, completa.

Isso significa que o investidor tem que aproveitar pequenos aumentos, vender o papel e esperar uma nova oportunidade para realizar outra operação – mesmo se o papel continuar subindo depois da venda. Se desesperar porque “está perdendo o mercado” não é uma boa ideia.

“Eu peguei um cliente que comprou Petrobras a R$ 19,00 e vendeu a R$ 23,00. Quando a Petrobras foi a R$ 26,00, ele comprou. A Petrobras foi a R$ 29,00 e ele comprou de novo. O que acontece? De repente o papel caiu e o lucro que ele tinha passou para prejuízo”, conta Vieira.

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O ponto do economista é que o investidor precisa estabelecer uma meta de ganho e um stop de perdas e não querer ver se no dia seguinte a alta irá continuar. Vale lembrar que os mercados não estão em tendência de alta e ganhar menos é bem diferente de perder.

Riscos excessivos

Para o analista da SLW, Pedro Galdi, operar a volatilidade se trata principalmente de uma questão de perfil do investidor. Quem estiver disposto a correr riscos, está apto. Os demais deveriam aproveitar as fortes oscilações para encontrar papéis interessantes para compor um portfólio com horizonte de longo prazo.

“É uma operação de risco bem acentuado”, reitera Galdi. “Estamos num momento crítico da economia mundial onde não temos domínio sobre o cenário. Então no meio do caminho pode haver uma piora do cenário de bancos e grandes corporações lá fora, um agravamento na recessão da economia dos países ricos e isso acaba impactando a bolsa de modo geral”.

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Como aproveitar a volatilidade

Com as ressalvas aos altos riscos feitas, o investidor com maior apetite pode aproveitar as oscilações da bolsa com estratégias simples. A primeira questão a ser observada é operar papéis de maior liquidez, pois as oscilações são mais rápidas e é mais fácil comprar e vender. Outro ponto a ser observado é que mesmo operações de intraday devem estar cobertas.

“O investidor tem que ter cacife suficiente, porque se ele entrar hoje, errar e o papel cair, ele tem que aguentar pelo menos um ou dois dias, fazer a liquidação financeira para depois vender em outra oportunidade. Eu tenho visto algumas pessoas tentando operar a volatilidade sem dinheiro. Isso eu não aconselho”, comenta Vieira.

Uma outra dica do economista é acompanhar poucos papéis, no máximo cinco, de forma a se inteirar sobre o cenário da empresa, do setor e da própria ação. “Quando você começa a acompanhar esses papéis, você começa a se acostumar até onde o preço bate e volta”.

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Com as altas e baixas da bolsa, quanto mais o investidor souber sobre o papel, melhor. Notícias relativas à empresa e ao setor costumam fazer os papéis dispararem ou derreterem e o investidor deve estar atento a isso. Entrar quando a ação já está subindo forte não é vantagem.

“Nos últimos tempos, o que temos visto é que as bolsas têm oscilado muito forte para cima e para baixo. Se o indivíduo tem a competência de acertar esses intervalos, com certeza há sucesso”, informa Galdi, sempre ressaltando os altos riscos de operar a volatilidade. Uma coisa, entretanto, é certa: se o investidor não tiver tempo de acompanhar as cotações minuto a minuto, o melhor é deixar colocado um stop de perda e de ganho.