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Com risco de sair da zona do euro, gregos recorrem à moedas virtuais para contornar crise

"Esta opção dá a segurança de que, independentemente da flutuação econômica ou até mudança de moeda no país, o dinheiro deles terá respaldo em uma moeda que não desvalorizará", diz o gerente da Trestor

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SÃO PAULO – Após o calote da Grécia ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e com os bancos do país restringindo os saques da população, os gregos estão apostando no mercado de moedas virtuais para driblarem o momento complicado. Com isso, a organização sem fins lucrativos Trestor Foundation criou um método para manter a valorização dos ativos financeiros com o uso da Trests, uma moeda virtual criptografada nos mesmos moldes das bitcoins.

A ideia é oferecer aos gregos Trests equivalentes a € 2 mil por meio de notas promissórias. Para isso, os interessados devem instalar uma carteira virtual no celular na forma de app disponível para Android e, em breve, para iOS. Depois, eles devem buscar um dos parceiros da Trestor e apresentar um documento de identificação, passaporte e número de cadastro no aplicativo. Após um processo que pode demorar até 2 horas, a Trestor deposita a moeda virtual na conta dos cadastrados. O empréstimo é sem juros até que as restrições sejam levantadas.

“Esta opção dá a segurança de que, independentemente da flutuação econômica ou até mudança de moeda no país, o dinheiro deles terá respaldo em uma moeda que não desvalorizará”, explica Henrique Daniel Rangel, gerente de marketing da organização. Isso ocorre por que o câmbio do Trest está atrelado ao dólar americano: hoje, uma unidade da moeda virtual equivale a US$ 0,01.

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Além de funcionar como uma espécie de reserva lastreada, a moeda é uma alternativa para populações de diversos países sem acesso a serviços bancários. Em Camarões, por exemplo, uma parceria da Trestor com a Socapssi – organização responsável por distribuir benefícios sociais para trabalhadores informais – simplificou o acesso a US$ 3 milhões para mais de 500 pessoas nesse ano. “Foi um teste bem-sucedido que provou que uma microeconomia baseada em Trests é possível. Agora a ideia é transformar isso numa pareceria contínua”, afirma o gerente.

Criada há dois anos, a Trestor Foundation começou a operar no início de 2015. A empresa foi fundada pelo indiano Kunal Dixit e está baseada no Canadá, mas também conta com escritórios na Coreia do Sul, Estados Unidos e Índia. São 100 bilhões de Trests existentes, e não há nenhum tipo de mineração, como no caso dos bitcoins.