Com recuo das blue chips, Ibovespa destoa do clima positivo lá fora e cai 1,07%

Índice volta a fechar abaixo dos 70 mil pontos, com Petro, Vale e siderúrgicas em baixa; ações da Fibra, porém, têm forte alta

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SÃO PAULO – Destoando dos ganhos em Wall Street, o Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (21) em queda de 1,07%, a 69.652 pontos. A performance do índice foi influenciada pela queda de algumas das principais blue chips da bolsa. O volume financeiro ficou em R$ 7,33 bilhões.

No campo doméstico, os investidores repercutiram a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que optou por manter a taxa básica de juro em 10,75% ao ano, algo já esperado pelo mercado, assim como o resultado da Natura, que no geral veio em linha com as expectativas.

Blue chips em queda
As siderúrgicas deram continuidade ao movimento de queda da véspera e ficaram na ponta negativa do Ibovespa mais uma vez. As baixas refletem a má recepção do mercado a dados do setor divulgados na última quarta-feira. Também fecharam no campo negativo as ações da Vale e da BM&F Bovespa, que pressionaram ainda mais o Ibovespa.

Mas a ponta negativa do índice foi ocupada mesmo pelas ações da Eletrobras e Petrobras, influenciadas pela divulgação da mais recente pesquisa de intenção de voto Vox Populli, que mostrou uma queda na pontuação auferida pelo candidato do PSDB à presidência da República, José Serra. A expectativa é que uma eventual vitória de Serra promova gestores mais pró-mercado, mitigando riscos de utilização de política das empresas ou de elevação da participação do governo.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.

Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET3 Eletrobras ON 23,73 -3,93 -7,24 44,97M
 ELET6 Eletrobras PNB 27,96 -3,92 -6,18 23,67M
 PETR4 Petrobras PN 24,16 -3,32 -32,69 1,10B
 BVMF3 BMFBovespa ON 13,63 -3,20 +14,67 350,07M
 RSID3 Rossi Resid ON 16,56 -3,16 +9,90 73,08

Na outra ponta do Ibovespa, as ações da Fibria lideraram os ganhos, impulsionadas pelos números surpreendentes do mercado de celulose mundial. Segundo dados do PPPC (Conselho de Produtos de Celulose e Papel, na sigla em inglês), o volume estocado globalmente de celulose recuou para 2 dias, contrariando as projeções de alta, indicando que o mercado de celulose pode estar mais aquecido do que se estima.

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Também entre os principais ganhos do dia, as ações da Natura repercutiram os resultados corporativos divulgados na véspera. No terceiro trimestre deste ano, a empresa reportou um lucro líquido de R$ 191,7 milhões – avanço de 0,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o lucro líquido cresceu 5,6% e chegou a R$ 524,7 milhões.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 Fibria ON 28,88 +7,68 -26,12 110,15M
 UGPA4 Ultrapar PN 105,80 +3,44 +35,81 32,70M
 NATU3 Natura ON 49,10 +3,37 +40,78 50,36M
 BRFS3 BRF Foods ON 24,57 +2,42 +8,57 44,97M
 DTEX3 Duratex ON 19,61 +2,40 +22,01 21,76M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 Petrobras PN 24,16 -3,32 1,10B 1,08B 40.692 
 VALE5 Vale PNA 48,33 -1,97 928,03M 845,90M 24.312 
 BVMF3 BMFBovespa ON 13,63 -3,20 350,07M 249,84M 15.583 
 OGXP3 OGX Petróleo ON 22,70 +1,89 278,15M 356,40M 11.575 
 PETR3 Petrobras ON 26,68 -2,98 277,53M 347,68M 13.325 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda
No front doméstico, o Ministério da Fazenda publicou nesta quinta-feira o relatório bimestral “Economia Brasileira em Perspectiva”, qual estima crescimento de 7,5% neste ano e inflação de 5,1%. No último relatório, publicado em agosto, esperava-se expansão de 6,5%.

Além disso, o CMN (Conselho Monetário Nacional) publicou resolução proibindo as instituições financeiras autorizadas pelo BC a realizarem aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários e ouro como ativo financeiro a investidores estrangeiros que pretendam utilizar os recursos obtidos com operações nos mercados de derivativos. A medida tem como objetivo fechar brechas pelas quais investidores externos poderiam escapar da cobrança de 6% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

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Para Edemir Pinto, presidente da BM&F Bovespa, o governo adotou medidas que efetivamente eliminam as brechas quanto a cobrança do IOF. Segundo ele, o objetivo do governo é conter a valorização excessiva do real. Ainda nessa sessão, o Banco Central determinou a exclusão das cartas de fiança do rol de garantias aceitas pelas câmaras de compensação da BM&F Bovespa para colateralização de operações realizadas por investidores estrangeiros já a partir desta quinta-feira.

Na agenda, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País em setembro foi a menor desde o ano de 2002, início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O nível de desocupação recuou 0,5 ponto percentual frente a agosto, para 6,2%, e 1,5 p.p. frente ao mesmo período do ano passado, segundo revelam dados do IBGE, que divulgou a Pesquisa Mensal de Emprego.

Referências externas
Lá fora, o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana veio melhor do que esperava o mercado. O Initial Claims registrou um total de 452 mil novos pedidos no período, melhor que o esperado pelos analistas, cujas projeções giravam em torno de 455 mil. Do mesmo modo, o indicador ficou abaixo do número registrado na semana anterior, que foi de 475 mil solicitações, conforme os dados revisados.

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O mercado recebeu ainda dados da produção industrial na Filadélfia, que ficaram abaixo das estimativas do mercado, apesar de mostrar melhora na passagem mensal. Por fim, o Leading Indicators, que resume alguns dos principais indicadores da economia norte-americana, registrou variação positiva, em linha com as projeções.

Também no exterior, na noite passada o governo chinês anunciou dados econômicos relevantes sobre o desempenho do país. Em primeiro lugar, destaque ao PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, que cresceu 9,6%. Apesar de ter sido melhor do que o esperado pelo mercado, o indicador registrou desaceleração na passagem. Na sequência, foi divulgada inflação de 3,6%, superior à variação medida em agosto.

Discursos
Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ter conversado com o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, sobre a forte desvalorização do dólar frente as principais moedas do mundo. Segundo Mantega, Geithner afirmou que a política econômica dos EUA não é de desvalorizar a sua moeda, mas sim fortalecê-la. Sobre o juro baixíssimo empregado no país, ao contrário do visto no Brasil, Geithner afirmou que a política do Fed está sendo superestimada.

Além disso, Mantega garantiu que Brasil e Estados Unidos pressionarão para que os líderes políticos reunidos no G-20 discutam uma solução para conter a desvalorização do dólar. “Nós vamos fazer força, nós dois, para colocar a questão no âmbito do G-20, de modo que as soluções para a questão do câmbio sejam negociadas, e não individuais, para cada país”, afirmou.

Já a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox, afirmou que é preciso uma coordenação global para resolver a questão do câmbio e que a pressão em moedas emergentes continuará até que o atual desequilíbrio econômico global seja resolvido.

Dólar
O dólar comercial encerrou esta quinta-feira em alta de 1,61%, cotado a R$ 1,702 na venda, influenciado pelas novas medidas do CMN para conter a valorização do real frente a moeda norte-americana.

O BC manteve sua rotina de atuações diárias no mercado à vista e realizou dois leilões de compra de dólares. No primeiro, entre 12h05 e 12h10, foi imposta taxa de corte em R$ 1,6865, enquanto no segundo leilão, por volta de 15h30, a autoridade comprou dólares com taxa de corte em R$ 1,6978.

Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou em alta no longo prazo. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2012, fechou com taxa de 11,33%, alta de 0,06 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,06% em 139,84% do valor de face.

O risco-País registrou variação negativa de dois pontos-base em relação ao fechamento anterior, encerrando o dia em 184 pontos.

Bolsas Internacionais
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou  em leve alta de 0,35% e atingiu 11.147 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 valorizou-se 0,18% a 1.180 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, subiu 0,09% a 2.460 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30  da bolsa de Frankfurt  registrou alta de 1,33% e atingiu 6.611 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40  da bolsa de Paris valorizou-se 1,31% chegando a 3.878 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 0,51% a 5.758 pontos.