Com recessão, empréstimos de risco crescem nos bancos italianos

Com fortes quedas nos lucros do segundo trimestre, os dois principais bancos da Itália são obrigados a reservar fundos

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SÃO PAULO – Os dois principais bancos da Itália, Intesa Sanpaolo e UniCredit, foram obrigados a reservar bilhões de euros para compensar um aumento acentuado nos empréstimos de risco, no momento em que apresentaram fortes quedas em seus lucros do segundo trimestre nesta sexta-feira (3).

O Intesa, maior banco de varejo italiano, reservou € 1,08 bilhão (US$ 1,31 bilhões) no segundo trimestre, 31% a mais do que um ano antes, uma vez que empréstimos podres cresceram 13%. As provisões do UniCredit contra empréstimos podres totalizaram € 1,9 bilhão, alta de 62%.

Os números refletem a dificuldade macroeconômica italiana, onde o Intesa e o UniCredit obtêm 80% e 40% de suas receitas, respectivamente.

As provisões pesaram fortemente sobre o lucro do UniCredit no segundo trimestre, que ficou em € 169 milhões, bem abaixo da previsão de analistas de € 302 milhões.

O Intesa teve um resultado melhor, com um lucro líquido de € 470 milhões, acima das expectativas de vários analistas, graças principalmente a € 173 milhões em restituição de impostos não-recorrentes. O resultado, entretanto, ainda ficou 41,5% abaixo do trimestre anterior.

“A situação econômica na Itália é claramente desafiadora”, disse o presidente-executivo do UniCredit, Federico Ghizzoni, em uma teleconferência com analistas.

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As preocupações sobre a desaceleração econômica na terceira maior economia da zona do euro foi um dos fatores citados pela agência de classificação de risco Moody’s quando rebaixou os ratings do Intensa, UniCredit e outros bancos italianos no mês passado, após reduzir em dois graus o rating da dívida soberana da Itália no mês passado.