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SÃO PAULO – Desde a semana passada, as atenções do mercado estão, de uma maneira geral, voltadas para a reunião mensal do Copom – o Comitê de Política Monetária -, que ocorrerá entre terça e quarta-feira desta semana, para análise e redefinição da política monetária adotada pela equipe econômica.
Neste sentido, um novo corte da taxa básica de juro da economia já é consenso dentre os investidores, uma vez que os preços continuam mostrando trajetória consistente de recuo nas últimas semanas. Contudo, as apostas tornam-se divergentes em relação à magnitude do corte, de forma que uma grande parcela do mercado acredita numa redução mais intensa da Selic em julho.
Melhora do cenário econômico
As apostas em relação a um corte mais agressivo da taxa Selic no mês de julho fundamentam-se, basicamente, na melhora do cenário econômico nas últimas semanas, tomando-se como base de comparação o cenário que antecedeu a reunião do Copom em junho, quando a autoridade monetária cortou a taxa Selic em meio ponto percentual, passando-a de 26,5% ao ano para 26,0% ao ano.
Às vésperas da reunião de junho do Copom, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurava uma leve inflação de 0,09% para a segunda quadrissemana daquele mês, enquanto a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), da Fundação Getúlio Vargas, apontava uma deflação de 0,66%. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), do IBGE, também confirmava desaceleração dos preços, apurando uma inflação de 0,22% no mês.
Nas semanas entre a reunião de junho e a reunião desta semana da autoridade monetária, o cenário econômico registrou expressiva melhora, especialmente no que diz respeito ao custo de vida. Neste sentido, tanto o IPC da Fipe como a segunda prévia do IGP-M, da FGV, apuraram deflação de 0,35% na segunda prévia de julho.
Boas projeções devem permitir maior redução
Percebe-se, dessa maneira, que diferentemente do que houve em junho, quando a autoridade monetária já havia promovido um tímido corte da Selic, os preços confirmam trajetória de queda tanto no varejo quanto no atacado, abrindo maior espaço para novos cortes de juros. Neste sentido, um corte mais agressivo da Selic seria perfeitamente possível do ponto de vista técnico, de modo que a maioria dos investidores acredita que a taxa básica de juro deva sofrer uma redução de 1,5 ponto percentual, atingindo, assim, 24,5% ao ano.
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Convém destacar que esta perspectiva pode ser facilmente confirmada pela análise da curva de juros futuros, constituída pelas taxas dos contratos de DI negociados na BM&F. O contrato com vencimento mais próximo – em agosto de 2003 – fechou esta segunda-feira apontando taxa de 24,44%. Com relação aos próximos meses, as perspectivas são bastante otimistas. Assim, o relatório Focus, do Banco Central, projeta que a Selic encerre 2003 num patamar bastante próximo a 20,0% ao ano.
Novamente, a tendência é mantida no mercado futuro, visto que o contrato de DI com vencimento em janeiro apontou taxa de 21,86% nesta segunda-feira. O contrato de um ano, com vencimento em julho de 2004, aponta, por sua vez, taxa de 20,38%, confirmando as expectativas favoráveis do mercado em relação à tendência dos preços e, por conseguinte, dos juros na economia brasileira.
A vez do crescimento econômico
Se os índices de preços mais recentes dão ao Copom uma certa tranqüilidade para um maior afrouxamento da política monetária, os dados relacionados à atividade econômica corroboram a possibilidade da autoridade monetária implementar novos cortes da Selic. Desde o início do ano, a atividade econômica, especialmente o comércio e a indústria, vem mostrando uma fraca performance, repercutindo, assim, os efeitos dos juros elevados da economia.
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Para se ter uma idéia, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a produção industrial no Brasil permaneceu praticamente estável durante os primeiros cinco meses de 2003, crescendo apenas 0,6% na comparação com igual período do ano anterior. Nos últimos meses, a indústria tem, inclusive, registrado queda na produção. O que torna estes números ainda mais alarmantes é o fato de que em 2002, a indústria já se mostrava enfraquecida, em função do racionamento de energia.
No caso da atividade comercial, que depende diretamente da taxa de juros, a situação mostra-se ainda pior: nos cinco primeiros meses de 2003, as vendas do comércio já acumulam queda forte queda de 5,57% frente ao mesmo período do ano anterior. Dessa maneira, uma queda mais consistente dos juros torna-se condição indispensável, ainda que não suficiente, para a retomada do crescimento econômico brasileiro ao longo dos próximos meses.