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SÃO PAULO – O indicador de risco-País encerrou a sessão desta terça-feira (15) em forte alta de dez pontos-base, atingindo os 181 pontos. O movimento do indicador reflete a aversão ao risco generalizada das bolsas internacionais, trazida pelo agravamento dos problemas nucleares no Japão.
Nesta terça-feira, o principal índice da Bolsa de Tóquio recuou mais de 10%, trazendo um efeito cascata às demais bolsas do globo. No início do dia, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) informou que autoridades japonesas confirmaram o incêndio na Unidade 4 da planta nuclear e que a radioatividade foi liberada diretamente na atmosfera. O país também segue calculando os impactos econômicos do desastre que teve início na última sexta-feira.
Ante as preocupações derivadas dos desastres no Japão, o BoJ (Bank of Japan), que na véspera já havia atuado no sistema financeiro do país para garantir a liquidez do mercado financeiro no curto prazo, injetou mais ¥ 20 trilhões na economia japonesa nesta terça-feira, ou US$ 245 bilhões, numa tentativa de acalmar os investidores. A medida foi projetada para assegurar aos bancos liquidez suficiente para atender a demanda das empresas e famílias que buscam levantar recursos após as catástrofes.
Noticiário interno
Por aqui, dados positivos da economia foram ofuscados pela clima de cautela com a economia japonesa. O Ministério do Trabalho divulgou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de fevereiro de 2011, quando foram criados 280,8 mil postos formais de trabalho, bem acima do recorde anterior para o mês que era de 209,4 mil vagas.
No mais, a economia deve crescer 4,2% em 2011, segundo Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado realizada pela Febraban. O número representa uma ligeira queda frente a projeção de crescimento de 4,6% em 2011 auferida na última pesquisa da Febraban, em fevereiro.
Fed mantém juros nos EUA
Nos EUA, a segunda reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) em 2011 terminou sem novidades sobre a política monetária norte-americana, como já esperado pelo mercado. A taxa de juro da maior economia do mundo foi mantida na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, assim como a frase “por um extenso período de tempo”, indicando que a Fed Funds Rate seguirá nesse patamar ainda por um bom tempo.
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O Fed também atendeu às expectativas e não anunciou mudanças em seu programa de compra de títulos: o QE2, como foi apelidada a nova rodada de flexibilização quantitativa do Banco Central norte-americano, segue em US$ 600 bilhões, e terá seu fim no segundo trimestre de 2011. O reinvestimento do principal dos ativos também continua. O banco central também manteve a frase de que irá rever “regularmente” o patamar de compras de títulos e também o montante total do programa, e que promoverá ajustes caso necessário.
Ainda nos EUA, além da decisão do Fed, também repercutiram nesta sessão importante indicadores econômicos. Ofuscado pela economia japonesa, a agenda norte-americana trouxe o NY Empire State Index, responsável por avaliar mensalmente a atividade industrial no país, superou as expectativas do mercado em fevereiro. O mesmo foi visto com os preços de importação nos Estados Unidos.
Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou na noite dessa terça-feira em queda de 0,08% cotado a 134,65 centavos de dólar.
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Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 181 pontos-base.
O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.
Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.
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Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.