Com queda de bancos, bolsas nos EUA interrompem sequência de seis altas

Acusação feita ao Goldman Sachs pesa sobre ações do setor financeiro; indicadores econômicos e resultados também repercutiram

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SÃO PAULO – Interrompendo um rali que perdurou por seis pregões, os principais índices acionários norte-americanos fecharam esta sexta-feira (16) com significativas perdas, prejudicados pelas fortes quedas do setor financeiro. Resultados e indicadores econômicos também foram analisados.

O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, fechou em baixa de 1,61% a 1.192 pontos, acumulando no ano forte alta de 6,91%. O Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, encerrou o pregão em desvalorização de 1,37% atingindo 2.481 pontos e subindo 9,35% no ano, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 1,13% chegando a 11.019 pontos e acumulando no ano forte alta de 5,66%.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -1,13 11.019 +2,66 +5,66 
 Nasdaq -1,37 2.481 +3,86 +9,35 
 S&P 500 -1,61 1.192 +2,22 +6,91 

Com essa queda, o S&P 500 acabou fechando a semana com uma performance negativa em 0,19%. Já o Dow Jones e o Nasdaq conseguiram se manter no azul, com ganhos de 0,19% e 1,11%, respectivamente.

Goldman Sachs: acusação e destaque de queda
Principal destaque desta sexta-feira ficou por conta da acusação de fraude feita pela SEC (Securities and Exchange Commission) ao Goldman Sachs. De acordo com o orgão regulador do mercado norte-americano, o banco deixou de prestar informações vitais sobre CDOs (Collateralized Debt Obligations), que dependiam da performance de papéis lastreados em hipotecas subprime.

Aprofundando o mau humor dos investidores, a acusação da SEC pesou sobre os papéis do Goldman, que despencaram 12,79%, liderando as perdas no S&P 500. As outras empresas do setor financeiro também sofreram com a notícia. Os outros grandes bancos dos Estados Unidos também fecharam o dia no vermelho. É o caso de JPMorgan (-4,73%), Citigroup (-5,2%) e Morgan Stanley (-5,57%).

Já o Bank of America viu seus papéis desabaram 5,49% – a maior queda do Dow Jones. Nem mesmo o resultado melhor do que o esperado do banco foi capaz de conter o pessimismo da sessão. No primeiro trimestre, o BofA registrou lucro de US$ 3,2 bilhões, número acima das previsões dos analistas e que levaram seus ativos a registrarem alta de mais de 2% no pré-market.

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Resultados corporativos
Além do Bank of America, outras grandes companhias divulgaram seus balanços contábeis. Uma delas foi a General Electric, cujo lucro do primeiro trimestre caiu 31% em relação aos três primeiros meses de 2009, impactado por prejuízos em operações descontinuadas. As ações da companhia caíram 2,72%.

Dentre as techs, o Google colheu nesta sexta-feira os frutos provenientes do seu resultado reportado na véspera. A percepção dos investidores é de que o gigante continuará gastando agressivamente na busca de novos talentos, fato que acabou pressionando as ações da companhia a uma forte desvalorização de 7,56%. 

Em termos de expectativas de resultados, as recentes declarações da AMD (Advanced Micro Devices) também desanimaram. A fabricante de chips espera que as receitas deste período caiam 5% em relação ao primeiro trimestre de 2010, o que levou seus papéis a um declínio de 3,44%.

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Indicadores divergentes
Na agenda norte-americana, os indicadores econômicos desta sexta-feira divergiram nos sinais. Enquanto o Housing Starts e o Building Permits mostraram melhora no mercado imobiliário, ficando acima das estimativas, o Michigan Sentiment indicou queda na confiança do consumidor norte-americano, atingingo 69,5 pontos, ante previsões de 75 pontos.

Cenário internacional
As notícias externas também influenciaram um clima de maior cautela ao redor do globo. Segundo a agência Reuters, o presidente do Banco Central Europeu informou aos ministros de Finanças da União Europeia que a situação dos bancos gregos permanece difícil e pode deteriorar-se ainda mais. Os ministros, por sua vez, afirmaram que, apesar dos problemas, o país não tem planos de pedir o pacote de resgate imediatamente. 

Enquanto a Grécia luta para não ter um default, na China as preocupações são bem diversas. O governo do país tomou novas medidas preventivas contra uma bolha imobiliária, elevando o pagamento mínimo utilizado como entrada nos financiamentos para propriedades e as taxas cobradas nas hipotecas para alguns compradores