Riscos fiscal e político

Com queda de 9% do Ibovespa desde a máxima histórica, ações brasileiras são barganha ou cilada? Bradesco BBI responde

Entre as principais posições overweight do banco estão nomes como Itaú Unibanco, Vamos, B3 e as ações preferenciais da Petrobras

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa já recua 9% desde a máxima histórica de fechamento, de 130.776 pontos, atingida em 7 de junho, até o fechamento da última quinta-feira (26).

E, com um ambiente ainda pressionado pelo aumento dos preços e prolongamento dos riscos fiscal e político, investidores podem se questionar se o momento é uma oportunidade para investir nas ações brasileiras ou se, dado os riscos no horizonte, pode ser uma cilada. Ou, no caso, “value trap”, armadilha de valor, fenômeno que ocorre quando um papel parece estar com desconto, mas, na verdade, só está desvalorizado porque é um mau negócio. Nesses casos, o barato pode sair caro.

Em relatório datado de quinta-feira (26), o Bradesco BBI chama atenção para a correção de 15%, em dólar, do índice MSCI Brasil desde o pico mais recente. Para os analistas, o índice está uma “pechincha” nos níveis atuais, negociando a múltiplos “muito baixos” (relação preço sobre lucro de 8,3 vezes para os próximos 12 meses).

O time de análise do banco usa como referência o MSCI Brasil, que busca replicar a performance de grandes e médias empresas listadas em Bolsa. Segundo os analistas, o índice deve se beneficiar de um forte crescimento dos lucros, como o que aconteceu no segundo trimestre deste ano, e de uma compressão do risco macroeconômico “em breve”.

Isso porque, segundo o banco, o MSCI Brasil se descolou da maioria dos mercados de ações globais, sendo negociado abaixo de sua média histórica em relação aos índices MSCI dos EUA, de mercados desenvolvidos e de mercados emergentes. “Achamos que é um sinal claro de que as ações brasileiras não participaram da festa das ações globais”, escreve. O MSCI Brasil é composto por 53 companhias.

Com relação aos setores da Bolsa, o time de análise do Bradesco BBI avalia que os múltiplos são baixos e o lucro por ação é alto em commodities (materiais e energia) e em alguns papéis de utilities, por exemplo.

Por outro lado, alguns setores estão apresentando múltiplos esticados e baixo lucro por ação, segundo os analistas, com base em expectativas de alto crescimento já incorporadas. É o caso, por exemplo, de consumo discricionário, tecnologia e saúde.

Hoje, as posições overweight (acima da média do mercado) do Bradesco BBI na Bolsa brasileira estão em Itaú Unibanco (ITUB4), Vamos (VAMO3), B3 (B3SA3), BR Distribuidora (BRDT3), Grupo SBF (SBFG3), Santos Brasil (STBP3), Alpargatas (ALPA4), EcoRodovias (ECOR3), Natura (NTCO3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4).

Cenário negativo no preço

Segundo o Bradesco BBI, a avaliação deprimida das ações brasileiras reflete a probabilidade de cerca de 60% de um cenário extremamente negativo acontecer em breve, provavelmente associado à percepção de uma interrupção iminente no regime fiscal (sem âncora fiscal, por exemplo).

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O banco projeta o Ibovespa sendo negociado a 140 mil pontos até dezembro, em um cenário otimista. Por outro lado, em um cenário negativo, o índice pode chegar aos 105 mil pontos, destacam os analistas.

Para Dalton Gardimam, economista-chefe do Bradesco BBI, a inflação deve atingir 9,5% em agosto em relação aos últimos 12 meses, e então iniciar uma trajetória de queda a partir de setembro, encerrando este ano com alta de 7,5% e dezembro de 2022, com alta de 4,5%.

Neste cenário, o banco espera novos aumentos na taxa básica de juros pelo Banco Central, levando a Selic para um intervalo de 7,5% a 8,5% ao ano até dezembro.

“Como resultado, a percepção do mercado de que o risco de aperto monetário poderia potencialmente ‘exagerar’ o crescimento do PIB em 2022 e em 2023 provavelmente entraria em colapso, reduzindo assim os riscos para as ações brasileiras”, escreve o time de análise.

Balanços do 2º trimestre

Ainda no relatório, o Bradesco BBI comentou sobre a temporada de balanços do segundo trimestre, com destaque para companhias dos setores de energia, financeiro, industrial, de consumo discricionário, serviços de comunicação e utilities.

No período, as companhias não financeiras da B3 tiveram crescimento de 1.026% no lucro na comparação com igual período de 2020, para R$ 74 bilhões, segundo dados da Economatica. A conta exclui as gigantes Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4).

Quando a petroleira e a mineradora são incluídas, o avanço salta para 1.615%, chegando a R$ 157 bilhões, ante R$ 9 bilhões do ano passado.

Cabe destacar que o crescimento na alta anual foi forte por conta da baixa base de comparação em relação ao segundo trimestre de 2020, no auge do impacto da pandemia de coronavírus na economia. Leia mais aqui.

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Diante dos resultados entre abril e junho deste ano, a previsão do banco para o crescimento do lucro por ação no índice MSCI Brasil foi revisada para cima, de 7 pontos percentuais, em 2021, e em 10 p.p. em 2022. As previsões de consenso são de alta de 226% do lucro por ação em 2021 na comparação anual e de queda de 8% em 2022, enquanto a projeção do EPS para o Ibovespa é de 281% para 2021 e queda de 4% no próximo ano.

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