Com queda de 8% no mês, é hora de aproveitar as oportunidades e comprar dólar

Moeda norte-americana volta a cair forte nesta quinta-feira puxada novamente pelo noticiário político, mas BC pode limitar as perdas

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SÃO PAULO – O dólar volta a cair forte frente ao real nesta quinta-feira (10), reagindo à denúncia do Ministério Público paulista contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a sessão é de volatilidade, com perdas limitadas por especulações de que o Banco Central poderia aproveitar a queda recente para reduzir sua atuação no câmbio.

Às 12h52 (horário de Brasília), o dólar recuava 0,76%, a R$ 3,6677 na compra e R$ 3,6691 na venda. A moeda norte-americana atingiu R$ 3,6390 no menor nível da sessão, renovando a mínima intradia desde 1º de setembro de 2015 (R$ 3,6192), e subiu a R$ 3,7110 na máxima do dia. Com as perdas de hoje, a divisa acumula queda de cerca de 8% nos 8 pregões de março.

Segundo o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, não deve ocorrer uma reversão de tendência para baixo no longo prazo, mas que no caso do real – bastante favorecido pelo noticiário político -, o momento é de aproveitar as oportunidades para comprar moeda.

“Eventualmente, poderemos ver o [patamar] de R$ 3,60, mas não acreditamos na sustentabilidade da taxa neste patamar”, afirma Júnior. “Para o dólar ficar abaixo de R$ 3,60, precisaremos ver uma reversão externa e este não parece ser o cenário”, completa o especialista em relatório.

Na noite passada, o MP paulista denunciou Lula por suspeita de ser o proprietário oculto de um apartamento tríplex no Guarujá, no litoral paulista. “O fator político é o grande direcionador da moeda e assim será por algum tempo”, disse o economista da corretora Lerosa Investimentos Carlos Vieira.

Muitos operadores vêm vendendo dólares, em um movimento concentrado no mercado futuro, apostando que eventuais mudanças no governo poderiam ajudar a recuperação da economia brasileira. Alguns analistas ponderam, porém, que as turbulências políticas tendem a pressionar a confiança.

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O movimento de queda da moeda norte-americana era limitado porque alguns operadores acreditam que o BC pode aproveitar a queda recente para reduzir o estoque de swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de dólares.

Na sexta-feira passada, quando o dólar desabou após Lula ser levado para questionamento pela Polícia Federal, o BC vendeu apenas parcialmente a oferta de swaps para rolagem dos contratos para abril. No entanto, a autoridade monetária não reduziu a oferta nos leilões seguintes e voltou a vender desde então o lote integral.

“O mercado encheu de ruído sobre o BC. Algumas pessoas acham que ele pode ver espaço para diminuir a rolagem neste mês”, disse o operador de uma corretora nacional. O BC rolou integralmente os últimos sete vencimentos de swaps.

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Nesta sessão, continuou na mesma toada e vendeu a oferta total de 9,6 mil contratos no leilão de swaps para rolagem nesta sessão. Ao todo, a autoridade monetária já rolou US$ 3,663 bilhões, ou cerca de 36% do lote total para abril, que equivale a US$ 10,092 bilhões.

A forte queda do dólar vista mais cedo neste pregão foi influenciada também pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) de afrouxar a política monetária mais do que o esperado. Esse efeito perdeu força ao longo da manhã, porém, após o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmar que não prevê mais cortes de juros à frente.

“Não devemos esperar mais ações até que o BCE veja o impacto das medidas de hoje… Em última instância, acreditamos que o BCE está comprando tempo”, escreveram analistas do banco BBH em nota a clientes.

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Com Reuters

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.