Com preços de commodities em nível recorde, aumentam debates sobre queda abrupta

Cotações elevadas e especulação podem potencializar efeitos de correção nos mercados globais de produtos básicos

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SÃO PAULO – Ano após ano, analistas têm divergido a respeito de limites para o atual ciclo das commodities. Desta vez, em meio aos debates sobre fundamentos e especulação no mercado global, crescem os temores sobre efeitos desfavoráveis do próprio aumento de preços.

Mesmo para os padrões recentes, a elevação das cotações registrada por produtos como o petróleo e gêneros agrícolas durante o primeiro semestre deste ano aparenta ser incomum, aumentando consideravelmente os temores entre agentes de mercado sobre uma quebra no ciclo.

Disparada

Desde o início deste ano, o índice Reuters/Jefferies CRB
– que mede o desempenho dos mercados das principais commodities – registrou variação positiva de 26,6%, a maior elevação para o período desde o início do atual ciclo, em 2002.

Desde 1994, os períodos marcados pela elevação dos preços das commodities tiveram duração muito menor, como durante 1996 e o fim de 1997, ou então entre 1999 e o fim de 2001, revela o índice.

Ação e reação

Mesmo entre analistas que crêem em razões estruturais de mercado para a atual alta dos preços, ganha força a interpretação de que a demanda global por produtos básicos apresenta sinais de desaceleração em decorrência do nível de preços.

Sinais deste movimento de correção nos mercados seriam dados pela diminuição da importação de cobre pela China, bem como no menor consumo de combustíveis nos Estados Unidos. Entretanto, permanecem dúvidas sobre quão abrupto pode ser este recuo.

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Outro fator, no entanto, poderia precipitar o fim da bonança com as commodities de maneira mais traumática – um grande aumento da oferta, em resposta ao momento favorável.

Especulações

Ademais, tais movimentos de mercado, tão comuns durante os ciclos econômicos, seriam potencializados pela intensa participação de especuladores nos mercados de commodities.

Embora o Lehman Brothers tenha apontado para um inédito ganho de US$ 235 bilhões em abril dos índices ligados a commodities, este movimento também apresenta desaceleração. De acordo com o Barclays, os investimentos neste tipo de ativos reduziram-se em 58% no segundo trimestre de 2008.