Com práticas desleais de comércio, EUA prejudicam sua própria economia

Os subsídios dados pelo governo norte-americano a vários setores ineficientes prejudicam o bem-estar da populaçao dos EUA

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SÃO PAULO – A política adotada pelo governo norte-americano no comércio internacional, mais recentemente evidenciada pelo conflito comercial com China e o posicionamento do país frente à ALCA, mostra uma faceta bastante peculiar da política externa do EUA.

De fato, estas medidas evidenciam o grau de necessidade do governo norte-americano de garantir retorno econômico para aqueles setores que têm forte lobby junto ao governo, uma vez que tais grupos são considerados fundamentais para a manutenção do poder nas mãos dos republicanos de Bush, nas eleições de 2004.

Tarifas à importação prejudicam consumidor
Os Estados Unidos sempre pregaram o livre comércio, entretanto, na prática, tal retórica muitas vezes não é empregada. Tal fato agravou-se no governo de George Bush, que tem causado muita polêmica em termos de política externa, desde de sua posse, na medida que tenta impor as vontades de seu país em todos os níveis, políticos e econômicos.

Assim, a cooperação entre os países, que foi tão enfatizada por Bill Clinton, acabou sendo muitas vezes substituída por uma imposição à força das vontades do atual governo.

De acordo com essa filosofia, o governo norte-americano não raramente defende setores da economia de seu país a qualquer custo, tentando deixar transparecer que faz isso em defesa de um “nacionalismo”, acarretando, assim, benefícios a sua própria população.

O que não fica claro, entretanto, é que para enxergar o comércio internacional com propriedade, deve-se ter em mente que práticas desleais utilizadas nesse âmbito, além de prejudicar os países produtores, pode prejudicar também a população e a economia nacional, e não o contrário, como muitas vezes é pregado.

Assim, se existe uma tarifa que limita a importação do aço, por exemplo, isso significa que as indústrias estrangeiras vão ter mais dificuldade para inserir seu aço de forma competitiva no mercado norte-americano. Dessa maneira, as indústrias nacionais, beneficiadas, acabam dominando o mercado, que é marcado pela escassez de concorrência, o que evidentemente prejudica o consumidor, que paga um preço mais elevado pelos produtos.

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Empregos são afetados pelo protecionismo
A falta de concorrência pode afetar mais diretamente ainda o consumidor. Tomemos como exemplo o Wal-Mart que, diga-se de passagem, é a empresa privada que mais emprega nos Estados Unidos.

Assim, com um aumento das tarifas de importação ou desvalorização do dólar, muitos produtos vendidos nesse supermercado, produtos esses que antes eram fabricados a preços bem inferiores na China, sofrem grande aumento de preço para entrar no mercado norte-americano. Nesse sentido, ou tais produtos são fabricados nos próprios Estados Unidos ou ele continua a ser comprado da China. Entretanto, nas duas situações, o preço do produto aumenta.

Com o aumento no preço de alguns produtos, a margem de lucro do Wal-Mart acaba sendo prejudicada, obrigando a empresa a cortar custos. Assim, dentre os cortes de gastos, muitos empregos podem ser prejudicados.

Prejuízo é dissipado entre a população
Dessa maneira, as práticas desleais no comércio internacional acarretam benefícios apenas para grupos concentrados e prejuízo para a população do país.

O problema é justamente a concentração. Enquanto os benefícios são concentrados nas mãos de poucos, quando tal ferramenta é utilizada, os prejuízos dissipam-se por muitos. Assim sendo, a população não percebe os impactos negativos dessas políticas no curto prazo.

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Vale ressaltar que esse mesmo tipo de protecionismo é utilizado pelos norte-americanos nas negociações da ALCA. Assim, a proteção dos produtos agrícolas por tais políticas propicia ganhos apenas aos produtores, que, cabe dizer, fazem forte lobby junto ao governo.

Já os consumidores norte-americanos acabam prejudicados, seguindo o mesmo raciocínio acima apresentado. E, obviamente, o Brasil também é prejudicado. Assim sendo, o bem-estar da população mundial apenas vai melhorar quando o benefício coletivo prevalecer, em detrimento dos interesses de grupos concentrados.

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