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Os desdobramentos da bomba megatônica da Operação Lava-Jato na sexta-feira, com a condução de Lula para depor sob coerção e a confirmação de que o ex-presidente, sua família e seus negócios também são investigados no caso do petrolão, vão fazer desta semana o ápice da crise política que o país está enfrentando e continuarão mantendo atônitos e paralisados o governo e o Congresso Nacional.
E com reflexos diretos na economia, pois há nenhuma possibilidade de deputados e senadores se debruçarem sobre as propostas de ajuste fiscal necessárias ao estancamento da recessão e à retomada do crescimento. Em economia, semana zero. Por tudo isso, vários setores econômicos, como registra o jornal “Valor Econômico”, já operam com a possibilidade de substituição do governo. (Leia também a análise de Francisco Petros em Fato Real: “Teremos um novo governo”).
A oposição já definiu que vai manter bloqueada a pauta da Câmara enquanto não for instalada a comissão que vai analisar o pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Os oposicionistas são minoria, porém a obstrução dos trabalhos parlamentares não é tão difícil assim, ainda mais neste momento em que os partidos aliados estão sem saber o que fazer e o PT está totalmente concentrado na defesa e na proteção do ex-presidente Lula.
A estratégia da oposição é centrar o fogo em Dilma para evitar transformar Lula em vítima, com o próprio ex-presidente já está vendendo. Uma das estratégias do PT, por seu turno, é apregoar que o verdadeiro objetivo da Operação Lava-Jato não é Lula, mas Dilma, para manter Dilma compromissada com Lula.
Sobre as dificuldades de Dilma com seus “aliados”, veja-se o silêncio da maioria deles nesses últimos dias de dificuldades que a presidente enfrentou – quinta-feira com a revelação da delação premiada de Delcídio do Amaral e sexta-feira com o episódio Lula: foi de total e obsequioso, medroso e oportunista silêncio.
E veja-se ainda a posição do PMDB, via seu presidente Michel Temer: em discurso no fim de semana, o vice da República, sem citar Dilma, pregou a harmonia dos poderes e a unidade para vencer a crise. Quando Temer fez um declaração idêntica, meses atrás, insinuou também que o nome da “unidade” seria ele próprio, Temer, e gerou irritações no Palácio do Planalto que até hoje não foram totalmente dissipadas.
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Marina Silva também reapareceu em Brasília ontem, dando estocadas no governo e no PT.
PT, Lula e Dilma: luta pela sobrevivência
A verdade é que estão Lula, Dilma, o PT e os aliados estão todos lutando no tempo imediato por suas próprias sobrevivências políticas. Dilma e o PT e Lula têm consciência de que a deles passa também e principalmente pelo encaminhamento das soluções para a crise econômica, porém antes precisam garantir que não serão arrastados pela Operação Lava-Jato.
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Esta é a prioridade máxima dos dois: Dilma encontrou-se com Lula no sábado, quando foi especialmente a São Paulo para prestar solidariedade pública ao companheiro em seu apartamento em São Bernardo do Campo; está semana os dois deverão se reunir novamente em Brasília, para traçar a estratégia de sobrevivência de ambos. A oposição vai concentrar seus esforços do jogo do impeachment.
Em torno disso, a agenda política da semana está pesadíssima, a saber:
O ministro do STF, Teori Zavascki, deverá definir-se sobre a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, vazada em parte na semana passada. As informações de Brasília são de que Zavascki deverá homologá-la. O ex-líder do governo no Senado faz carga pesada contra Lula e Dilma, como já vazou, mas há noticias de que ele carrega ainda nas tintas contra colegas parlamentares de diversos partidos.
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Outro ministro do STF, Luís Roberto Barroso, vai liberar o acórdão da decisão que estabeleceu as regras para a apreciação pelo Congresso do impeachment da presidente Dilma, que reduziu os poderes da Câmara e do presidente Eduardo Cunha. Com isso, pode ser instalada a Comissão que vai dar um parecer sobre o pedido, como quer a oposição. Porém, Cunha contestou parte das regras e o STF ainda deve decidir sobre isto, o que pode atrasar o início do processo. Calcula-se que a discussão se estenderá pelo mês de abril ou até um pouco mais, o que é mais uma contribuição para manter o Congresso paralisado.
Há a Convenção Nacional do PMDB no sábado, quando Michel Temer deverá ser reconduzido à presidência e o partido discutirá seus planos para o futuro. Há grupos defendendo o afastamento imediato do governo e o rompimento da aliança com o PT. O PMDB não aderiria imediatamente à oposição, ficaria com numa espécie de “governismo crítico”, o que, aliás, já é sua posição na prática – nem governista, nem oposicionista.
Há também a manifestação contra o governo e pró-impeachment marcada por movimentos sociais para domingo 13, agora com o apoio mais aberto dos partidos de oposição. O governo teme que o movimento ganhe dimensões depois dos novos acontecimentos referentes à Operação Lava-Jato, o que poderia levar mais pressão ao Congresso pelo afastamento da presidente.
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Em contrapartida, o PT, as entidades sindicais comandadas pela CUT e movimentos sociais simpáticos ao partido e ao governo estão se preparando também fazer ações públicas em defesa de Dilma e de Lula. O PT e o próprio Lula já convocaram esses atores políticos a irem para as ruas. Há temores, porém, pelos exemplos de sexta-feira em frente ao apartamento de Lula e na delegacia da PF onde o ex-presidente depunha, de confrontos muito sérios entre os dois lados. O que tornaria o ambiente político de um modo geral mais radicalizado ainda que já está. Sutis ameaças estão no ar: o ex-ministro Gilberto de Carvalho, diz em entrevista à “Folha de S. Paulo” que prender Lula seria brincar com fogo. O MST avisa que bloqueará estradas por Dilma.
A revelação de um dos delegados que foi à casa de Lula na sexta-feira, de que o ex-presidente teria dito inicialmente que só iria depor na PF algemado, põe mais lenha na fogueira da troca de farpas (e acusações) entre os operadores da Lava-Jato e os defensores do ex-presidente, ambos os lados acusando-se de inverdades.
Paralelamente, o governo terá que se ver com a nomeação do novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, cuja posse foi barrada pela Justiça em Brasília. A alegação é que como promotor ele não pode constitucionalmente assumir um ministério. A decisão final está nas mãos do STF e deve sair depois de amanhã. Se for barrado definitivamente, um desgaste desnecessário a mais para Dilma.
Lula e Dilma, até quando?
No meio de todo o clima adverso formado contra ele, a saída que o ex-presidente Lula encontrou para continuar a tona e angariar defensores, foi se declarar candidato à Presidência da República em 2018, coisa que todo já sabia, mas ele disfarçava. Lula se dispôs, com o apoio imediato do presidente do PT, Rui Falcão, a sair imediatamente em campanha pelo país.
Uma situação que para a presidente Dilma Rousseff não é nada boa. O discurso do PT hoje é totalmente contrário ao da presidente em matéria de economia. E Lula, nas condições atuais da economia, com a insatisfação popular visível em cada esquina, não terá condições, sem quiser angariar plateias e simpatias, de sair por aí defendendo a atual política econômica.
Por isso, há uma pergunta nos meios políticos e sociais: até quando os interesses de Dilma e Lula coincidirão, até quando ele permanecerão de fatos unidos e falando a mesma língua?
Outros destaques
dos jornais do dia
– “Gastos com subsídios do FGTS saltam após Minha Casa Minha Vida” (Globo)
– “Para economistas, dólar está inflado pela crise e não reflete a realidade” (Folha)
– “Bumlai negocia com o MPF delação premiada” (Valor)
LEITURAS SUGERIDAS
Paulo Guedes – “Quem é Lula?” (diz que o ex-presidente vai desmerecer sua luta pela redemocratização se incitar militantes à violência em vez de enfrentar serenamente a Justiça) – Globo
Editorial – “A crise corrói os salários” (diz que a crise demorou para alcança o mercado de trabalho, mas que, quando o fez, teve impactos muito fortes) – Estado
Artigo – “O interrogatório de Lula e a crise brasileira” (diz que acontecimentos dos últimos dias deixam Dilma mais fraca, o Brasil menos administrável e o governo à deriva) – The Economist/Estado
Valdo Cruz – “Juntos = complicação” (diz que, se ceder ao PT, Dilma afunda de vez a economia) – Folha
Gustavo Loyola – “Uma ponte para o passado” (diz que o desprezo do PT pelo combate à inflação mostra que seu compromisso com o social é letra morta, já que a inflação penaliza especialmente as camadas de menor renda) – Valor
Destaques dos jornais
do fim de semana
SÁBADO
– “Travas legais devem adiar obras de R$ 30 bi em estradas e ferrovias” (Folha)
– “Com estoques altos, produção de veículos em fevereiro cai 36%” (Folha/Estado)
– “Indústria tem alívio em janeiro com alto de 0,4%” (Globo/Estado)
– “Poupança tem pior desempenho em 21 anos” (Globo/Estado)
– “Governo dá novos incentivos para destravar o setor de petróleo” (Globo)
– “Estados Unidos criam 142 mil vagas e cresce a chance de juro aumentar” (Globo/Estado)
– “Juíza suspende nomeação de ministro da Justiça” (Globo/Estado/Folha)
– “Cunha é alvo de novas denúncias: R$ 5,2 milhões” (Globo/Estado/Folha)