Com operações em queda, setor de leasing teme que IOF afaste consumidor

De acordo com presidente da associação do setor, medida do governo de taxar setor com IOF foi perversa

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SÃO PAULO – Como se não bastasse a queda nas operações de leasing por causa da crise global, o governo editou na semana passada portaria que taxou as transações com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em 3,38%, o que rendeu críticas por parte do setor.

De acordo com o presidente da Abel (Associação Brasileira de Empresas de Leasing), Rafael Cardoso, a medida é perversa. “Os pátios das montadoras estão cheios”, disse, em referência ao leasing de veículos novos, que representa 35% das operações totais.

O presidente da associação falou nesta quinta-feira (11) durante divulgação dos dados do setor, que mostraram queda de 34% nas operações no mês de outubro.

IOF

No começo deste ano, depois da extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira), o governo aumentou a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em financiamentos para pessoa física e jurídica. Com isso e com a crise, que vinha restringindo o crédito, muitas pessoas estavam recorrendo ao leasing para a compra de um carro.

Na semana passada, porém, foi publicada a Medida Provisória que instituiu o IOF para o leasing. O governo afirmou que a tributação não terá efeito imediato e que vai ficar para quando as condições econômicas melhorarem. Segundo Cardoso, mesmo sem efeito instantâneo, a medida é um aumento da carga tributária. “É assim que se fomenta a indústria?”, questionou.

Cardoso afirmou que as operações de leasing estavam sendo procuradas por serem rápidas e dinâmicas, principalmente para compra de carros, caminhões, máquinas e equipamentos. O único imposto cobrado era o ISS (Imposto sobre Serviços), com alíquota de 0,25%.

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Do crédito ao leasing

Para se ter uma idéia, dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central do mês de outubro, mostraram que as operações de leasing para pessoa física, na aquisição de veículos, haviam crescido 2,74% no décimo mês do ano, na comparação com setembro. Já os financiamentos haviam recuado 2,3%.

As operações de arrendamento mercantil destinadas ao segmento de pessoas físicas somaram R$ 55,7 bilhões em outubro, evidenciando a maior demanda por operações de leasing vinculadas à aquisição de veículos.

“Os financiamentos para aquisição de veículos apresentaram recuo, que reflete os efeitos combinados da retração da demanda, sobretudo em razão do encurtamento de prazos, e da substituição dessa modalidade pelas contratações de leasing, que, embora também tenham sofrido desaceleração, mantiveram evolução expressiva em outubro”, diz o BC.