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SÃO PAULO – O clima de instabilidade que derrubou os mercados mundiais nos últimos dias volta a influenciar o mercado de câmbio brasileiro e leva a moeda norte-americana a fechar com a maior cotação desde abril de 2003.
Refletindo a vulnerabilidade do cenário externo e interno, os diversos acontecimentos no campo internacional têm atingido os investidores internacionais, que estão realizando um fluxo negativo de capital das economias emergentes.
Cenário externo conturbado preocupa investidores
Vários fatos continuam contribuindo para o nervosismo dos investidores internacionais, que com isso passam a ter maior aversão ao risco.
As instabilidades no Iraque, agravadas com a divulgação de inúmeras fotos de soldados norte-americanos torturando presos iraquianos e a divulgação de um vídeo mostrando a decapitação de um civil norte-americano, também contribuíram para o clima de tensão nessa sessão.
Somando-se a isso, tem-se a contínua preocupação em relação ao aumento da taxa de juro norte-americana, que foi intensificada com a divulgação do déficit comercial norte-americano, que chegou a um patamar recorde de US$ 46 bilhões em março, isto porque a recuperação econômica dos Estados Unidos tem alimentado a demanda por bens importados, confirmando a retomada do crescimento norte-americano.
Vale ressaltar que os investidores também continuaram apreensivos com a alta do preço do petróleo e seus impactos no crescimento da economia brasileira.
Vencimento da dívida impulsiona dólar
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Além do cenário internacional, outro fator que influenciou o comportamento da divisa nesta sessão foi a formação da Ptax, que será utilizada para o resgate da dívida pública atrelada ao câmbio que vence nesta quinta-feira, uma vez que os agentes credores destes papéis tendem a estimular a alta cotação do dólar, para obter uma remuneração maior.
Intensificando o clima de tensão, há a ação do Ministério da Justiça que decidiu cancelar o visto temporário do correspondente do jornal americano The New York Times, William Larry Rohter Junior, em retaliação à reportagem publicada no último domingo, na qual afirmava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abusava de bebidas. O ato repercutiu negativamente entre a imprensa de todo o mundo e afeta ainda mais a imagem do Brasil.
Fluxo negativo de capital intensifica-se
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Apesar de tanto o governo quanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) tentarem convencer o mercado que o Brasil enfrenta apenas uma turbulência influenciada pelo cenário externo, e não uma crise, a fuga de capital da economia brasileira não vem sendo contida.
Isto porque com dólar, risco país e juro dos EUA mais altos, é mais atraente e seguro para os investidores globais retirarem seus recursos de economias emergentes, como a do Brasil, e investirem em economias mais sólidas, como a norte-americana.
Dólar volta a fechar em forte alta
Neste sentido, o dólar comercial fechou cotado a R$ 3,1410 na compra e R$ 3,1420
na venda, forte alta de 2,15% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
3,0430, representando um deságio de 3,12%
em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o
dólar acumula valorização de 7,20% em maio, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.
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No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 8,27%.
Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho
encerrou o dia cotado a R$ 3.168,
forte alta de 2,03% em relação ao fechamento
de R$ 3.105
da última terça-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, fechou em forte alta de 2,23%,
atingindo R$ 3.204 frente
à R$ 3.134 do fechamento de
terça-feira.
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Curva de FRA de cupom cambial
O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 0,45% para julho de 2004, alta de 0,8 ponto percentual em relação ao fechamento anterior. Já o contrato de maior liquidez, referente a janeiro de 2005, encerrou a 3,71%, alta de 0,54 ponto percentual em relação ao fechamento da sessão anterior.