Com mercado dividido, Selic pode afetar a Bolsa, dólar e DI amanhã?

Taxas dos contratos futuros de DI já foram pressionadas para cima, com a parte mais curta, em especial, refletindo a aposta, cada vez mais consensual, de alta de 0,5 p.p. na taxa básica de juro

Publicidade

SÃO PAULO – O mercado foi surpreendido na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), no final de outubro, quando o Banco Central elevou a taxa de juro para 11,25% ao ano, em um momento que a maioria do mercado esperava pela manutenção da taxa até o fim do ano. Agora, a expectativa é outra: boa parte do mercado espera por um novo aumento, mas, desta vez, em 0,5 ponto percentual. A decisão do BC sobre o juro básico da economia será anunciada hoje após às 18h (horário de Brasília).  

Com tal projeção, as taxas dos contratos futuros de DI já foram pressionadas para cima, com a parte mais curta, em especial, refletindo a aposta, cada vez mais consensual, de alta de 0,5 p.p. da Selic. Uma alta que dessa vez não terá tanto impacto no mercado dado que os agentes já esperam uma elevação (seja ela de 0,25 p.p ou 0,5 p.p.), disse Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos.

Isso porque a grande surpresa veio na reunião passada. Uma elevação mais gradual agora não será ruim e, por isso, não deve refletir em fortes impactos no mercado, disse o analista Thiago Souza, da XP Investimentos. Entre os 55 economistas pesquisados pela Bloomberg, 31 esperam que o BC eleve a Selic em 0,5 p.p. para 11,75% ao ano, enquanto 24 preveem que a taxa deve ir a 11,5% ao ano, alta de 0,25 p.p.. 

A Guide trabalha com o cenário da maioria, corroborando a percepção de combate à inflação e mudança de rumos da economia. “Acreditamos que o BC adotará uma postura mais dura, menos complacente, como tem dito o presidente da instituição, Alexandre Tombini”, disse Pereira. Já a XP acredita que uma alta gradual seria mais benéfica para o mercado, dado que uma taxa de juro muito alta não é bom para tomar risco e uma postura dessa neste momento não seria nada muito extraordinário sem uma postura fiscal rígida. Somente isso não vai arrefecer a inflação, disse Souza. 

Diante disso, eles comentam que não veem reflexos muito relevantes amanhã na Bolsa e dólar com um aumento da Selic de 0,25 p.p. ou 0,5 p.p., tendo apenas um ajuste para baixo no DI no primeiro caso, já que agora precifica o juro a 11,75% ao ano. Vale mencionar que, normalmente, uma decisão de alta de juro puxa a Bolsa para baixo, uma vez que a renda fixa fica mais atrativa, atraindo entrada de dólar no País, que, por consequência, valoriza o real.