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SÃO PAULO – A Nota do Setor Externo, divulgada nesta quarta-feira pelo Banco Central, evidencia o maior acesso das instituições brasileiras ao mercado de capitais internacional.
Passado o temor com a descontinuidade da política econômica adotada pelo governo FHC, em função do discurso de austeridade fiscal e comprometimento com crescimento econômico do novo governo, os investidores estrangeiros aos poucos começam a aumentar o apetite por títulos brasileiros.
Demanda por papéis mais longos segue fraca
Nesse sentido, a colocação de títulos brasileiros de médio e longo prazo em fevereiro de 2003, excluindo os bônus da República, registrou ligeira queda de 5,1% frente a igual período do ano passado, atingindo US$ 181 milhões. No entanto, a emissão de papéis registrou substancial elevação quando comparada com os números de janeiro deste ano, que apontaram a quantia de apenas US$ 9 milhões.
No acumulado do ano até fevereiro, a colocação de papéis brasileiros de prazos acima de um ano sinalizou acentuada retração de 72,6%, caindo de US$ 693 milhões em 2002 para US$ 190 milhões neste ano.
Por outro lado, a colocação de títulos brasileiros de curto prazo em fevereiro registrou forte alta de 177%, subindo de US$ 131 milhões em fevereiro de 2002 para US$ 362 milhões em igual período deste ano. No acumulado do ano, a alta chegou a 756%, saltando de US$ 139 milhões para US$ 1,189 bilhão.
Temor com quadro eleitoral reduziu colocações em 2002
A forte queda no acumulado do ano pode ser explicada pelo temor dos investidores externos frente ao quadro eleitoral brasileiro. Nesse sentido, a possibilidade de descontinuidade econômica frente à chance de um candidato de oposição ser eleito, o que acabou ocorrendo, reduziu o apetite de risco dos investidores externos, diminuindo, assim, significativamente a colocação de títulos brasileiros em 2002 e ainda em janeiro de 2003.
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Com relação à distribuição por país de origem de capital, os investidores japoneses aplicaram 81% menos nos títulos brasileiros em fevereiro de 2003 com relação a igual período do ano anterior. Já os norte-americanos, por sua vez, aplicaram 125% mais nos papéis brasileiros na mesma comparação, chegando a US$ 29 milhões em fevereiro deste ano.
Amortizações diminuem, sinalizando maior rolagem
As amortizações dos títulos de médio e longo prazo registraram forte queda de 88%, caindo de US$ 885 milhões em fevereiro de 2002 para US$ 108 milhões em igual período deste ano. Na comparação entre os volumes acumulados nos dois primeiros meses do ano, também foi registrada queda, passando de US$ 1,250 bilhão para US$ 452 milhões.
Na mesma direção, as amortizações de títulos brasileiros de curto prazo registraram substancial queda, recuando de US$ 371 milhões em fevereiro de 2002 para US$ 20 milhões no mesmo período deste ano. Com isso, na comparação entre o acumulado em janeiro e fevereiro, foi registrada forte queda de 93%, com o total caindo de US$ 371 milhões para US$ 27 milhões.