Publicidade
SÃO PAULO – O ano de 2009 ainda nem terminou, mas sem dúvida foi marcado por expressivas mudanças nas políticas econômica e monetária de diversas economias ao redor do globo. No período, os governos tiveram de lidar com as consequências do agravamento da crise, enquanto se preocupavam em estimular uma recuperação sustentável.
Em meio a pacotes de ajuda financeira, redução de impostos e outros artifícios para conter os danos, as autoridades monetárias aderiram ao corte nos juros como alternativa para salvar as economias. Os últimos indicadores comprovam a eficácia dessas ajudas, que conseguiram garantir, ao menos no curto prazo, números positivos em relação à atividade da maior parte das economias globais.
Contudo, é crescente a tendência daqueles que defendem uma mudança de postura por parte dos governos, uma vez que um período extenso de flexibilização econômica e monetária pode surtir o efeito inverso, trazendo uma série de novas preocupações para as economias – sendo a inflação a principal delas.
Dentro deste contexto, e tendo em vista a proximidade da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) em 2009, que será realizada nos dias 8 e 9 de dezembro, a equipe da MCM avalia que “é hora de mudar o discurso”.
Selic
Não diferente das outras economias, a autoridade monetária brasileira efetuou uma série de ajustes na taxa básica de juro do País ao longo deste ano, visando manter o equilíbrio econômico em meio aos destroços deixados pela crise. Tendo iniciado 2009 em 13,75% ao ano, a Selic sofreu uma série de cortes, que a levaram ao seu menor patamar histórico, de 8,75% ao ano, nível que tem sido mantido pelo Copom.
“A unanimidade sobre a manutenção da política monetária, que prevaleceu nas últimas quatro reuniões do Copom, começa a ser rompida. A razão para isso é a forte recuperação da economia brasileira nos dois últimos trimestres e suas consequências para a taxa de inflação no médio prazo”, destacou a MCM.
Continua depois da publicidade
Na visão da consultoria, o crescimento da demanda agregada ao ritmo atual é incompatível com a expansão da capacidade produtiva da economia brasileira, que, mais cedo ou mais tarde, irá se refletir em pressões sobre a taxa de inflação e sobre o déficit em conta corrente.
Por esse motivo, a MCM aposta em uma mudança na posição do Copom. “Em sua próxima reunião, o Copom deve mudar ligeiramente o discurso otimista sobre os condicionantes da inflação futura, pois chamará a atenção para o atual ritmo de crescimento da demanda agregada e sua incompatibilidade com a oferta. Alguma preocupação com a inflação, senão em 2010, certamente em 2011, deve começar a ser revelada, mesmo que de forma bastante sutil”, avaliou.
Política monetária no mundo
O movimento a favor de uma mudança no discurso das autoridades monetárias não se restringe ao Brasil. Nos Estados Unidos também há quem defenda a alta na Fed Funds Rate, que atualmente está em seu menor patamar histórico (entre 0% e 0,25% ao ano).
“Sem a adoção de uma política mais deliberada de redução da liquidez e elevação das taxas de juros antes cedo do que tarde, nós poderemos muito bem ver a inflação se tornar uma preocupação séria”, disse na última terça-feira Charles Plosser, presidente do Federal Reserve da Filadélfia – primeiro membro da autoridade monetária norte-americana a se pronunciar a favor do aperto monetário.
Continua depois da publicidade
No entanto, em seus últimos discursos, tanto o presidente do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, como o chairman do Fed, Ben Bernanke, sinalizaram que o governo dos EUA ainda manterá os juros do país no atual patamar por um período mais longo de tempo, visto que a economia dos EUA ainda não apresentou sinais de uma recuperação econômica sustentável, apesar da melhora vista nos últimos indicadores.
Enquanto na maioria das economias começa-se a pensar em uma mudança no comportamento das autoridades monetárias, em outras poucas, o aperto monetário já está sendo conduzido. Nesta semana, a Austrália anunciou pela terceira vez consecutiva a alta na taxa de juros do país, que passou de 3,5% para 3,75% ao ano. Outras economias, como Israel e Noruega, também já elevaram seus juros.