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SÃO PAULO – O setor financeiro se mantém mais uma vez na liderança entre as recomendações para o mês de setembro, como mostra levantamento realizado pela InfoMoney com 19 corretoras e bancos.
Entretanto, ao contrário do mês passado, a liderança não é isolada. Com 31 recomendações, o setor financeiro é seguido de perto por consumo e varejo, com 27 indicações, e energia e saneamento, que aparece 26 vezes nas carteiras recomendadas para o mês. No total, foram 184 recomendações.
Retomada traz bom cenário para bancos
Com a estabilização da economia e manutenção da taxa básica de juro, os sólidos fundamentos do setor financeiro nacional continuam a atrair os analistas. O setor recebeu 31 recomendações.
A queda na inadimplência dos consumidores em agosto reportada por levantamento da SPC Brasil/ CNDL também é mencionada pela Link como uma boa notícia para o setor financeiro. “A melhora da inadimplência pode ser explicada pela recuperação econômica, aumento do emprego e da massa salarial”. Além disso, a corretora destaca a retomada do consumo e do crédito – o que favorece a circulação de dinheiro e pagamento de dívidas.
Para a SWL, o resultado dos bancos vem sendo prejudicado pelo aumento das despesas com provisão para crédito duvidoso. “Quando se considera apenas a margem financeira de crédito, verificamos nos resultados divulgados no segundo trimestre que os bancos conseguiram segurar suas rentabilidades, ainda que o spread médio do sistema financeiro nacional tivesse caído no período”, afirmam os analistas.
A corretora menciona, ainda, um possível risco para o desempenho das ações do setor: o mercado internacional realizar lucro recente nas ações do setor nas bolsas internacionais, que exerceria pressão sobre as ações dos bancos brasileiros. Entretanto, a corretora mantém a recomendação para o setor: “Como esperamos manutenção das taxas de juros no segundo semestre, e melhora do cenário de renda dos trabalhadores, acreditamos em arrefecimento das taxas de inadimplência, o que traria uma melhora de rentabilidade das instituições”.
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Por fim, as boas perspectivas para a BM&F Bovespa, operadora da bolsa brasileira, também atrai analistas para o setor. Segundo a Itaú Corretora, a possibilidade do aumento de volume de IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) e de ofertas secundárias traz boas perspectivas. “A parceria com a Nasdaq pode trazer mais visibilidade para os papéis”, concluem.
Consumo e melhora da economia
Com 27 indicações, os papéis do setor de consumo e varejo figuram mais uma vez no segundo lugar dentre os mais recomendados. As empresas do setor se beneficiam do avanço do consumo, assim como da estabilização da economia brasileira.
Segundo a SLW, os resultados apresentados no segundo trimestre pelas empresas
do setor retratam essa melhora da situação macroeconômica. “Vendas mais fortes, favorecidas por um nível de emprego melhor, uma taxa de juros mais baixa e mais crédito disponível a um custo menor”. Os analistas mencionam, ainda, os incentivos governamentais para o setor, que favoreceram seu desempenho.
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Segundo dados do IBGE, divulgados na última sexta-feira (11), o consumo das famílias foi o grande responsável pelo avanço de 1,9% do PIB brasileiro no segundo trimestre do ano.
De acordo com a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), o INC (Índice Nacional de Confiança do Consumidor) avançou três pontos em relação a julho, ficando em 129 pontos no oitavo mês do ano. Segundo a Associação, o índice acumula alta de 10 pontos desde abril.
Elétricas mantém terceira posição
Na sequência, com 26 recomendações, o setor de energia e saneamento mantém a terceira colocação. A despeito do arrefecimento da crise nos últimos meses, os especialistas seguem apontando o segmento como ponto de segurança aos investidores em meio ao cenário ainda incerto nos mercados.
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Para os analistas do Morgan Stanley, a possibilidade de menores WACCs (Weighted Average Cost of Capital, ou custo médio ponderado de capital) do setor de energia e saneamento é marginalmente negativa para as companhias. De acordo com o banco, é esperado que o WACC das distribuidoras de energia passe dos atuais 9,9% para 8,9% neste ano. O banco manteve sua visão atrativa para o segmento, considerando, entre outras coisas, a redução da taxa de juros.
“Acreditamos que os fundos de pensão e investidores do varejo deverão aumentar sua exposição a este grupo, tradicionalmente visto como exclusivamente defensivo pelos investidores institucionais”, declarou a instituição.
Já os analistas da Socopa afirmaram que decidiram aumentar a exposição ao setor, “que apresenta bons fundamentos e que está atrasado em relação ao índice”.
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Entretanto, a SLW destaca que, embora as perspectivas de crescimento do setor estejam mais favoráveis, é preciso destacar o aumento dos riscos políticos e regulatórios, aos quais o setor elétrico está exposto. Além disso, os analistas apontam que o consumo nacional de energia elétrica na rede no mês de julho caiu em comparação anual. “A indústria continua se destacando como o segmento responsável pela retração do consumo no país, com uma queda de 6% em relação a julho de 2008”.
Entre as notícias do setor, destaque ainda para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar as projeções de reajuste nos preços para energia elétrica e gás de botijão, para o acumulado de 2009. Com relação à energia, a projeção passou de 5%, na reunião de julho, para 5,4%.
Confira o número de recomendações de cada setor:
| Setor | Recomendações | Porcentagem |
| Financeiro | 31 | 16,85% |
| Consumo e Varejo | 27 | 14,67% |
| Energia e Saneamento | 26 | 14,13% |
| Mineração | 18 | 9,78% |
| Petróleo e Gás | 16 | 8,70% |
| Siderúrgico | 13 | 7,07% |
| Telecomunicações | 13 | 7,07% |
| Transporte | 12 | 6,52% |
| Industrial | 10 | 5,43% |
| Imobiliário | 6 | 3,26% |
| Petroquímico | 4 | 2,17% |
| Tecnologia e Informática | 4 | 2,17% |
| Papel e Celulose | 4 | 2,17% |
| Total | 184 | 100% |
As carteiras selecionadas neste mês são de: Ativa, BB Investimentos, Bradesco, Credit Suisse, Coinvalores, Fator, HSBC, Itaú, Link, Omar Camargo, Planner, Senso, SLW, Socopa, Spinelli, TOV, UBS, Win e XP Investimentos.