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SÃO PAULO – Nem mesmo a disparada de 30% do Ibovespa nos últimos 5 meses trouxe tantos investidores à renda variável como se imagina. Isto porque mesmo com a valorização de mais de 30% de março para cá – quando o índice saiu de 44 mil pontos para mais de 60 mil pontos atualmente -, os fundos têm preferido reter dinheiro em caixa. O momento de eleição pode ter gerado certa desconfiança no mercado em meio às incertezas sobre o que acontecerá depois de outubro.
Um levantamento feito pela RiskOffice – consultoria que possui 11 mil fundos em sua base de dados -, a pedido do InfoMoney mostrou que os fundos de ações tinham 18,34% do patrimônio líquido em caixa no mês de junho, contra 12,55% no mesmo mês do ano passado – ou seja uma, alta percentual de 50% sobre a quantia do patrimônio que não estava alocada. De um patrimônio total de R$ 18,1 bilhões dos fundos analisados pela consultoria, essa fatia corresponde a R$ 3,26 bilhões, o que nada mais é que R$ 1 bilhão a mais do que no mesmo mês de 2013.
Esse é o maior patamar da série analisada pela RiskOffice, que tem início em novembro de 2012. Em maio deste ano, a relação “patrimônio x caixa” era de 17,73%.
O dado impressiona ainda mais quando olha-se para os meses passados. Em janeiro deste ano, por exemplo, os fundos de ações possuíam 10,49% do seu patrimônio em caixa. E, na série analisada, chegaram ao mínimo de 8,80% em novembro de 2012. Vale mencionar ainda que de janeiro a dezembro do ano passado esses fundos mantiveram em caixa de 10% a 12% do patrimônio líquido, mesmo o Ibovespa tendo caído 15,5% daquele ano.
“Se a intenção é representar o apetite ao risco dos fundos, a menor exposição à Bolsa indica perfeitamente esse sentimento dos gestores e a exposição de risco dos fundos”, disse Alberto Jacobsen, presidente da Risk Office.
Segundo um gestor que pediu para não ser identificado, existem boas oportunidades na Bolsa neste momento, mas não são abundantes. “Estamos preferindo segurar dinheiro nesse momento de eleição. Vamos esperar a poeira baixar. O nível do nosso caixa agora é o maior da história do fundo”, disse, em entrevista ao InfoMoney.
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A retenção de caixa é ainda mais intensa nos fundos “long biased”, que além de manterem posições compradas em ativos, podem manter posições vendidas por intermédio do aluguel de ações. Em junho, eles possuíam 73% do patrimônio em caixa, enquanto no mês passado era de 66%. Em dezembro de 2012, chegaram ao mínimo de 29%. Apesar da porcentagem maior, esses fundos possuem R$ 2,052 bilhões em patrimônio líquido, segundo compilado da Risk Office.
Confira a evolução do patrimônio líquido em caixa dos fundos este ano:
| Fundos | Exposição em caixa (% do Patrimônio Líquido) | |||||
| Janeiro | Fevereiro | Março | Abril | Maio | Junho | |
| Ações | 10,49% | 12,30% | 15,87% | 17,2% | 17,73% | 18,34% |
| Long Biased* | 42% | 58% | 65% | 67% | 66% | 73% |
| *Além de manterem posições compradas em ativos, podem manter posições vendidas por intermédio do aluguel de ações | ||||||
Metodologia
Para o levantamento, tudo que não era Bolsa foi considerado caixa. No caso dos fundos de ações, isto é 99% das vezes fiel a representação da posição de caixa, enquanto para os “long biased” pode divergir um pouco mais pois eles eventualmente utilizam derivativos para suas estratégias, explicou a Risk Office.