Com maior aversão ao risco no mercado doméstico, dólar opera em alta

Analistas de mercado cortaram pela décima semana seguida as projeções para o PIB, para 1,9% em 2012

Publicidade

SÃO PAULO – Seguindo o movimento da manhã, o dólar comercial opera em leve alta nessa segunda-feira (16), em meio ao cenário de maior aversão ao risco no mercado doméstico, ao passo que a economia brasileira emite sinais mais fortes de desaceleração. Por volta das 14h (Horário de Brasília), a divisa norte-americana registrava valorização de 0,07%, cotado a R$ 2,0387 na venda. 

Analistas de mercado cortaram pela 10ª semana consecutiva as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) do país, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central. Para os analistas, a expansão esperada é de 1,9% em 2012, consolidando resultado abaixo dos 2% pela primeira vez na pesquisa deste ano. Já a produção industrial ficará estável em comparação ao ano passado, registrando alta de apenas 0,09%.

FMI: pessimismo maior com o Brasil
Não obstante, o FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou as projeções para o crescimento global, mas o maior impacto foi sobre o Brasil. A expectativa de PIB foi reduzida em 0,6 ponto percentual. Ainda assim, o órgão está mais otimista que os analistas brasileiros, pois espera um avanço de 2,5% este ano no nível de atividades do país.

O corte no Brasil é superior ao de outros emergentes, que viram suas projeções caírem apenas 0,1 ponto percentual para 2012. Isso só reforça a declaração de Jim O’Neil, presidente do conselho de administração da Goldman Sachs Asset Management. O criador do termo BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) afirmou em entrevista à Dow Jones na semana passada que o B pode ter os dias contados na sigla.

“O desempenho do PIB não é tão crítico, mas, durante esta década, o Brasil terá que recuperar uma taxa de crescimento mais forte”, ponderou. “Caso contrário, o ‘B’ em ‘Bric’ ficará sem sentido”, complementou.

Indicadores mistos nos EUA
Nos Estados Unidos, os investidores ponderam dois indicadores que vieram com sinais opostos nesta segunda. As vendas no varejo caíram 0,5% em junho, elevando as perdas do setor que, no mês anterior, registraram retração de 0,2%. Já na outra ponta, a atividade industrial em Nova York saltou 7,4% em julho, taxa bem superior aos 3,8% esperados pelo mercado.

Continua depois da publicidade

Já os estoques de empresas dos Estados Unidos terminaram maio com um avanço de 0,3%. O resultado ficou 0,1 ponto percentual acima das expectativas do mercado, de alta de 0,2%. 

As expectativas também se voltam para o relatório semestral do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, a ser divulgado antes de seu discurso perante o Comitê Bancário do Senado, na próxima terça-feira (17). Propostas de estímulos adicionais à economia do país são aguardadas.

Alemanha
Enquanto isso, a corte alemã anunciou que levará mais tempo que o esperado para avaliar se o país participará do fundo de resgate criado recentemente. Já o FMI emitiu um alerta para o prolongamento da recessão no bloco, mesmo elevando projeção de crescimento de alguns países da região.
<!–
Confira a variação do dólar durante os últimos 30 dias:
–>