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SÃO PAULO – Em meio a seguidas alterações das taxas de juro e o crescente temor relativo ao endividamento de alguns países emergentes, a sessão desta quinta-feira (18) é marcada por grandes modificações em taxas de câmbio.
Nem mesmo a tradicional libra, referência de solidez e valor, parece suportar as pressões advindas do severo ambiente econômico internacional, em que medidas até há pouco impensáveis tem sido adotadas com naturalidade, como a redução das Fed Fund Rates nos Estados Unidos a quase zero.
Ainda uma ilha
Vivendo problemas muito semelhantes aos enfrentados por norte-americanos, o Reino Unido poderá adotar a mesma postura em breve e derrubar sua taxa básica de juro. Nesta sessão, a libra aproxima-se da paridade com o euro, sendo cotada em valor próximo de € 1,05. Na última vez em que se reuniu, o BoE (Banco da Inglaterra) fixou a taxa em 2,0% ao ano, ao passo em que o BCE (Banco Central Europeu) derrubou a taxa anual da zona do euro para 2,5%.
Todavia, a autoridade monetária presidida por Jean Claude Trichet não aparenta estar tão disposta quanto sua correspondente inglesa para ir até o limite da redução do juro básico, tendo em vista possíveis pressões inflacionárias, exatamente o oposto do que poderá enfrentar o BoE.
Com o consumo emperrado e a circulação cada vez mais lenta da moeda, as autoridades inglesas pretendem ir a fundo para combater a deflação, o que deverá aumentar o diferencial de juros pagos por títulos de renda fixa denominados entre as duas moedas européias, em favor do euro. Isto ocorre por conta da preferência natural que os investidores dão aos ativos de maior rendimento, potencializada pelo fato de haver pouca diferença em relação ao risco, no caso.
Dívida
Um dos episódios mais dramáticos deste movimento de volatilidade cambial ocorre na Ucrânia, cuja moeda – o hryvnia – registra desvalorização superior a 16% frente ao dólar nos últimos dois dias, tendo perdido quase a metade de seu valor desde o início de 2008 e chegado ao patamar mais baixo de sua história.
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Embora a fuga de investidores estrangeiros tenha sido generalizada nos países em desenvolvimento, em reflexo da grande aversão aos ativos de risco, a Ucrânia tem sofrido estes efeitos de modo mais intenso em função dos temores despertados pela exposição de mais da metade de sua dívida externa – pública e privada – relacionada ao câmbio.
A posição é diametralmente oposta à brasileira, por exemplo. Sendo o País detentor de mais reservas que débitos públicos em moeda estrangeira, uma desvalorização do real é capaz de produzir um efeito líquido de redução da dívida . Assumindo seu tradicional papel, o FMI (Fundo Monetário Internacional) buscou apagar o incêndio na Ucrânia e evitar uma crise de pagamentos, com a promoção de um empréstimo de US$ 16,5 bilhões, em novembro deste ano.
Ao mesmo tempo, as autoridades do país planejam intervenções no mercado para fortalecer o hryvnia e evitar um ataque especulativo sobre a moeda, tendo o banco central aumentado o juro sobre operações de refinanciamento, ao passo em que o Presidente Viktor Yushchenko revelou que o governo comprará a moeda.
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Mais a leste
Ao mesmo tempo, a moeda russa é cotada com recorde de baixa frente ao euro, desvalorizando-se também frente ao dólar. Também lá, os investidores estrangeiros retiraram um enorme volume de recursos – mais de US$ 200 bilhões desde agosto -, o que fez o banco central do país utilizar quase 30% de suas reservas internacionais para evitar uma desvalorização maior ainda do rublo.
Todavia, a situação da Rússia parece agravar-se por conta do conturbado cenário em sua política externa, por conta do conflito com a Geórgia, bem como pela enorme redução registrada pelos preços de seu principal produto de exportação – o petróleo.
Para a Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, o movimento volátil no câmbio internacional pode ter relação com o encerramento de 2008. “Avaliamos que essas pressões mais intensas nos mercados de moedas, internacional e local, devem se amenizar a partir de amanhã [sexta-feira], quando os investidores praticamente devem encerrar os ajustes de suas posições para o final de ano”, afirmou analista, em relatório.