Com inflação alta e PIB baixo, Brasil se aproxima de cenário de estagflação

Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, políticas de curto prazo são responsáveis por desempenho fraco da economia

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SÃO PAULO – A economia brasileira cresceu apenas 0,9% em 2012, com uma inflação bastante próxima do teto da meta do Banco Central. O aumento no ritmo de preços deu uma breve desacelerada na divulgação desta sexta-feira (8), mas os números continuaram surpreendendo e diversos economistas já projetam que a inflação irá quebrar o teto estipulado pelo governo em março. Com isso, a economia brasileira enfrenta um grande dilema: com inflação alta e crescimento baixo, o Brasil entrou em estagflação?

Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o termo é bastante adequado, mas questionável – o momento conjuntural que a economia viveu em 2012 e continua vivendo no início de 2013 é bastante parecido com este cenário. “O nível de crescimento da economia não está condizente com a inflação que tivemos nesse período”, alerta. No ano passado, o crescimento foi de apenas 0,9% – abaixo do nível de 1,5% que o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia classificado como piada. A exceção à definição de estagflação fica por conta da taxa de desemprego, nas mínimas históricas.

Há motivos para breve otimismo: ele destaca que a economia desacelerou e acomodou-se em um nível de baixo crescimento, mas ainda não está completamente estagnada. Há a expectativa também da retomada do crescimento, mas não de maneira definitiva – a política econômica do governo não tem sido a mais adequada. “O Brasil não se preocupou em resolver questões estruturais, ele não olha para o longo prazo, temos sempre planos de curto prazo. Tem sempre que apagar um fogo, nunca olhando para o que podemos ser lá na frente. Um dia a conta chega”, destaca o economista.

Mesmo que haja uma retomada, o crescimento brasileiro é mais fraco perto dos outros emergentes, como China, Índia e a maioria dos países latinoamericanos – avalia Agostini. “Nós temos restrições aos fatores de produção, com muita burocracia, uma carga tributária muito alta, o nível de investimento é muito baixo. É o chamado custo-Brasil”, avisa o economista da Austin.

Ele suaviza, porém, a diferença entre o crescimento brasileiro e o de países desenvolvidos, como EUA, Japão e Alemanha, que, mesmo enfrentando crises mais graves, tiveram crescimento superior ao Brasil em 2012. “É uma questão estatística, por conta da base inflada de 2010, quando crescemos 7,5%, e 2011. Mas isso não justifica o andamento da economia. Crescimento de 0,9% é bom? Não. Teve uma grande incompetência do governo para que tivéssemos isso”, avalia. 

A retomada do crescimento em 2013, sobretudo no segundo trimestre, deve nos retirar da incômoda posição de um país próximo da “estagflação”. Para ele, os problemas de crescimento do Brasil são, principalmente, conjunturais e não estruturais, e o PIB (Produto Interno Bruto) deve voltar a crescer. “O País pode voltar a crescer, mas a inflação deve continuar elevada. O aumento do consumo das famílias é substancial e isso corresponde a dois terços do PIB”, finaliza o economista. 

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