Com impactos das menores vendas, emprego industrial caiu 0,6% em junho

Pesquisa do IBGE confirma tendência de queda do emprego industrial no pais; São Paulo novamente pressionou índice

Publicidade

SÃO PAULO – O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou, nesta segunda-feira, a sua Pesquisa Industrial do Emprego e Salário referente ao mês de junho. No período, registrou-se uma queda de 0,6% do emprego industrial considerando-se a comparação com igual período do ano anterior.

Dessa maneira, a taxa de ocupação permanece estável no acumulado do ano e registra queda de 0,2% no acumulados dos últimos doze meses terminados em junho, conforme mostrado pelos dados do IBGE. Na comparação com o mês de maio, o emprego industrial registrou retração de 0,1%, configurando a quinta queda consecutiva na série dessazonalizada do indicador.

Papel e gráfica exercem maior pressão em SP

Considerando-se a média nacional, os segmentos industriais que mais contribuíram para a retração do emprego industrial em junho foram o de minerais não-metálicos, que apresentou queda de 7,5% na taxa de ocupação frente ao mesmo período do ano anterior e o de outros produtos da indústria de transformação, com queda de 8,6% na mesma comparação.

Em relação à indústria paulista, que possui grande peso na média nacional, o destaque ficou com o segmento de papel e gráfica, onde o nível de emprego registrou recuo de 4,4% em junho, na média nacional, sempre considerando-se como referência o mesmo mês do ano anterior. Vale ressaltar que de uma maneira geral, o volume de emprego na indústria paulista recuou 1,5% no período considerado.

Outro destaque ficou com o estado de Minas Gerais, que registrou uma queda de 2,3% no nível de emprego frente a igual período de 2002. Contrariando a tendência, o Paraná apresentou um crescimento do nível de emprego, com expansão de 4,8% em junho deste ano na comparação com igual período do ano anterior.

Salários continuam apresentando perda real em junho

Apesar de no confronto com o mês de maio, o salário da indústria nacional ter registrado ganho real médio de 1,8% em junho, na comparação com igual período do ano anterior o trabalhador da indústria ainda está longe de suas comemorações. Conforme apurado pela pesquisa do IBGE, o salário médio da indústria registrou forte perda real de 4,6% na comparação com junho de 2002, acumulando, assim, uma perda de 6,4% no ano e de 4,5% nos últimos doze meses.

Continua depois da publicidade

Em termos de contribuição negativa para tal decréscimo do poder de compra do trabalhador industrial, os destaques ficam com a indústria paulista, com queda de 5,2% no nível de emprego, e, por conseguinte, na região Sudeste como um todo, com um volume de emprego 5,9% menor do que aquele registrado em igual período do ano anterior. A única exceção fica com a região Norte e Centro-Oeste, unificadas para efeito de pesquisa, onde foi registrada uma expansão de 1,7% do emprego industrial.

Cai também o número de horas pagas na indústria

Acompanhando a mesma tendência verificada pelos salários reais, o número de horas pagas na indústria nacional registrou nova queda em junho. No período, houve uma retração de 1,3% no total de horas pagas, considerando-se como referência o mesmo mês do ano anterior, de forma que no acumulado do ano já é contabilizado um recuo de 0,5% nas horas pagas frente ao mesmo período de 2002.

O estado de São Paulo ficou novamente com a maior contribuição negativa, registrando uma queda de 2,5% no total de horas pagas nesta mesma comparação. Em seguida, os destaques ficaram com os estados de Minas Gerais (-2,5%) e Rio de Janeiro (-4,8%). Em tendência oposta, o estado do Paraná apresentou aumento de 5,9% no total de horas pagas, além da região Norte e Centro-Oeste, com crescimento de 3,0% na mesma comparação.