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SÃO PAULO – Em uma sessão de referências de peso, o risco-Brasil encerrou a quarta-feira (3) com ligeira alta de 2 pontos-base, chegando aos 172 pontos. Além do aguardado anúncio de compras de Treasuries pelo Federal Reserve, o mercado acompanha as articulações do próximo governo, após a eleição de Dilma Rousseff.
Atendendo às expectativas, o Fed anunciou um novo programa de compra de títulos para tentar dar fôlego à economia norte-americana, que ainda segue em lenta recuperação, e impulsionar as expectativas de inflação. O pacote será de US$ 600 bilhões (US$ 75 bilhões mensais até o segundo trimestre de 2011) para compra de Treasuries de longo prazo.
A nova rodada de medidas de flexibilização quantitativa contava com estimativas de cerca de até US$ 1 trilhão, que foram reduzidas frente a indicadores recentes mais positivos. O Fed, que também manteve a taxa básica de juro do país inalterada no patamar entre 0% e 0,25% ao ano e sua política de reinvestimento do principal dos títulos em carteira, afirmou que “revisará regularmente o ritmo das compras e seu montante total considerando novas informações, e fará ajustes conforme for necessário”.
Política
O mercado também esteve atento à primeira entrevista coletiva da candidata eleita Dilma Rousseff. Dilma apontou que o governo trabalha com a inflação no centro da meta e PIB de 4,5%, além disso, ao mencionar sobre a guerra cambial, apontou que não há e nunca houve solução individual para a questão.
O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também participou da coletiva, afirmou que não serão tomadas medidas impopulares nos últimos dois meses de Governo, em meio a especulações de que o atual chefe de governo poderia implantar políticas de redução de gastos, para evitar o desgaste da sucessora. Já em relação à “guerra cambial”, afirmou que o Brasil irá à reunião do G-20 para “brigar” para que o real não fique valorizado demais.
O mercado especula também sobre a composição ministerial do próximo governo. Em relatório, a consultoria MCM destaca a expectativa sobre o papel de Antônio Palocci. “Tudo indica que o ex-ministro disputa com Paulo Bernardo e Maria das Graças Foster o cargo de chefe da Casa Civil. (…) Cogita-se também a possibilidade de a Casa Civil perder parte de suas atuais atribuições, que seriam distribuídas por outros órgãos do governo. Neste caso, Palocci poderia ser nomeado para o ministério das Relações Institucionais, pasta eminentemente política, ou para a Secretaria Geral da Presidência. (…) Por enquanto, o que há de concreto é a nomeação de Palocci para ser um dos coordenadores da equipe de transição, ao lado de José Eduardo Dutra e José Eduardo Martins Cardoso, os principais condutores da campanha petista”, diz a MCM em relatório.
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Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou em ligeira queda de 0,07% nesta quarta-feira, cotado a 139,90 centavos de dólar.
Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 172 pontos-base.
O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global.
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Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.
Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.