Com expectativa de atuação do Banco Central, dólar comercial fecha em forte alta

Sessão foi marcada por forte volatilidade; mercado acredita que baixa cotação do dólar pode motivar retorno do BC

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SÃO PAULO – Com a expectativa de que o baixo patamar da moeda norte-americana motivaria o retorno do Banco Central às negociações do mercado de câmbio doméstico, o dólar comercial fechou em forte alta nesta quinta-feira.

Pela manhã, a moeda norte-americana chegou a ampliar as perdas da sessão anterior, quando fechou na menor cotação em mais de três anos, pressionada pela decisão da autoridade monetária de não realizar leilão de swap cambial pela sétima sessão consecutiva, no entanto, foi ganhando forças ao longo da sessão e encerrou com valorização de mais de 1%.

Baixa pela manhã

Na manhã desta quinta-feira, a avaliação do mercado da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) colaborou para a queda do dólar. O colegiado do Banco Central deixou em aberto a possibilidade de voltar a elevar o juro básico brasileiro, caso as pressões inflacionárias não cedam. Uma nova elevação da Selic tenderia a motivar a entrada de capitais no país e, conseqüentemente, pressionaria a cotação da moeda norte-americana.

Outro aspecto que motivou a desvalorização do dólar pela manhã foi a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano. No primeiro trimestre, a economia dos Estados Unidos mostrou expansão de 3,1%, frente às expectativas de 3,5% e ao crescimento de 3,8% do referencial anterior.

Aceleração da inflação

Além da expectativa de atuação do Banco Central, a leve aceleração da inflação, apurada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), referente ao mês de abril, contribuiu para impulsionar o dólar nesta quinta-feira. O indicador registrou inflação de 0,86%, enquanto que em março a alta nos preços medida pelo índice havia sido de 0,85%. O índice veio 0,01 ponto percentual acima das expectativas, já que de acordo com o relatório Focus, do Banco Central, o mercado aguardava uma alta de 0,85% nos preços.

Também nesta sessão, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) elevou sua perspectiva para a inflação, medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), referente ao mês de abril, de 0,45% para 0,80%, motivada pelo aumento dos preços dos alimentos por conta da estiagem na região Sul do país e do excesso de chuvas no Centro-Oeste.
Dólar fecha em forte alta

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O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,5490 na compra e R$ 2,5520
na venda, forte alta de 1,43% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,8100, representando um ágio de 10,24%
em relação ao dólar comercial.
Apesar desta alta, o
dólar acumula desvalorização de 4,35% em abril, frente
à baixa de 1,65% registrada no mês passado.

No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 3,81%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

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Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio
encerrou o dia cotado a R$ 2.554,
forte alta de 1,43% em relação ao fechamento
de R$ 2.518
da última quarta-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, fechou em forte alta de 1,39%,
atingindo R$ 2.585 frente
à R$ 2.550 do fechamento anterior.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 2,89% para junho de 2005, com queda de 0,05 ponto percentual em relação à cotação de ajuste da sessão anterior. Já o contrato referente a janeiro de 2006, encerrou a 3,77%, com alta de 0,17 ponto percentual em relação ao valor de ajuste da sessão anterior.