Publicidade
SÃO PAULO – Depois de uma semana focada no mercado norte-americano, com indicadores importantes de emprego e crédito, além da tão esperada reunião do Fed, o foco dos investidores na próxima semana deve se voltar para o outro lado do mundo. Mais especificamente, a China.
Em uma semana em que os EUA ficam relativamente fora do radar, sem indicadores de peso na agenda, a China deve atrair atenções entre quarta-feira (10) e quinta-feira (11) com a divulgação de uma bateria de indicadores, como vendas no varejo, produção industrial, balança comercial e preços ao consumidor.
Para Fernanda Camino, da XP Investimentos, essa leva de dados pode se traduzir em um catalisador para os mercados na semana. “Em linhas gerais, os dados da China têm vindo muito fortes, bem positivos, o mercado tem gostado bastante”, explica.
Já João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, vê a possibilidade de o gigante asiático acabar trazendo volatilidade ao Ibovespa. “Acho que os dados podem trazer volatilidade para os papéis, especialmente os ligados a commodities – mais especificamente, a Vale (VALE3, VALE5) e as siderúrgicas”, aponta o analista.
Brigas sem solução
A China, contudo, não fica no centro das atenções sozinha. A reunião do G-20, marcada para os dias 11 e 12 de novembro, também não deve ficar longe dos olhos dos investidores.
Enquanto Brugger minimiza o impacto da reunião, baseado no fato de que ela não deve trazer novidades, Fernanda coloca o encontro como o destaque dos mercados na semana. Apesar de também não esperar medidas ou mudanças, ela frisa a importância das discussões – especialmente as relativas ao câmbio – que o grupo das principais economias do mundo deve travar nos dois dias de reunião. A questão ganhou ainda mais força após a decisão do Fed de despejar mais US$ 600 bilhões na economia.
Continua depois da publicidade
“A China já foi a público questionar porque o Fed fez isso, quais são as intenções, se é desvalorizar o câmbio e impulsionar o crescimento dos EUA através do comércio internacional. Acho que teremos bastante briga em torno dessas questões cambiais”, explica Fernanda.
A economista, contudo, não prevê que as brigas culminem em soluções. “Muito provavelmente eles vão chegar a um acordo entre eles – como foi na reunião dos ministros – mas no fundo cada país vai continuar defendendo seus interesses”, diz Fernanda. Assim, a China deve continuar com o câmbio desvalorizado, os EUA devem continuar adotando as medidas necessárias para aquecer a economia.
O Brasil, por sua vez, pode adotar novas medidas para conter o fluxo de investimento, e a valorização do real. “A sinalização de que pode vir alguma coisa foi a crítica das autoridades às medidas do Fed de colocar mais dólares no mercado, principalmente para o Brasil que está sendo alvo do fluxo de capital”, diz a economista. Ela, contudo, não vê mais muito espaço para quedas do dólar, que já acumula perdas de 3,63% no ano. “O incentivo do Fed já se reflete na cotação. A tendência é um pouco baixista no curto prazo, mas não tem muito espaço para cair mais”.
Continua depois da publicidade
Europa volta ao foco
A Europa também traz indicadores importantes na semana, como a produção industrial alemã, inglesa e da Zona do Euro, além do PIB (Produto Interno Bruto) preliminar da região.
Entretanto, não é só a agenda que deixa o continente em evidência. Fernanda lembra que a semana marca o vencimento de dívidas de alguns países da região – Portugal, por exemplo, tem vencimentos de 4 bilhões marcados para o período. Isso, na visão da economista, pode trazer volatilidade, e é o risco da semana.
Reta final da temporada de resultados
No cenário local, a reta final da temporada de resultados também deve repercutir. Os números da Petrobras (PETR3, PETR4), esperados para quinta-feira (11), são o foco da semana – mas não são o único balanço de peso. BM&F Bovespa (BVMF3), TAM (TAMM4), GOL (GOLL3), MMX (MMXM3) e OGX (OGXP3) também divulgam seus dados trimestrais no período.
Continua depois da publicidade
Para Brugger, a temporada pode acabar trazendo volatilidade para alguns papéis. Já para Fernanda e Oltramari, apesar do viés positivo, números bons não significam necessariamente uma alta do índice.
“Podemos ter balanços maravilhosos, mas se tivermos uma bolsa em queda lá fora, nada segura. Acho que é uma complementaridade da agenda econômica com indicadores corporativos que vai contribuir para que o mercado continue altista”, explica Oltramari.
Sobe ou desce?
Para onde, então, vai o Ibovespa na semana? Apesar de não ser possível afirmar, com certeza, os rumos do índice, ambos os analistas esperam que o Ibovespa mantenha sua tendência de alta. “Acreditamos que a bolsa tem condições de romper máximas históricas nas próximas semanas”, ressalta Oltramari.
Continua depois da publicidade
Brugger, por sua vez, tem um otimismo mais contido. “O fato de o índice estar perto de uma resistência importante deve exercer bastante peso sobre o comportamento do Ibovespa na semana que vem”, explica. Assim, o analista projeta uma semana positiva, mas com uma alta mais amena do que a vista recentemente.