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SÃO PAULO – Diversificação é recomendação básica para o investidor que procura maximizar o rendimento de sua aplicação correndo um risco menor, ainda mais em períodos de incerteza como o atual. Mas o andamento dos mercados nesta crise levanta questionamentos quanto à real eficácia desta estratégia.
Primeiro de tudo, é preciso entender o que é diversificação. A estratégia vem de muito tempo atrás, difundida pelos estudos do prêmio Nobel Harry Markowitz, que voltou seus esforços aos efeitos do risco, retorno, correlação e diversificação no mercado de capitais, formulando a Teoria Moderna do Porfólio. A partir daí, gestores de fundos e analistas adotaram a estratégia e, em muitos casos, experimentaram retornos superiores à média do mercado.
A ideia básica é investir em ativos que reagem de diferentes maneiras ao mesmo evento, reduzindo sua exposição a um fator isolado. Não é suficiente para garantir ganhos, mas reduz riscos. A receita é alocar os investimentos entre várias frentes, setores ou outras categorias de aplicação.
Perdas com ou sem diversificação
Como o período é de incerteza, o foco na diversificação aumenta. No entanto, as perdas foram generalizadas no ano passado, para quem pratica a estratégia ou não. Outro fator que alimenta o debate é que algumas trajetórias de sucesso no mercado vem exatamente do oposto da diversificação, de investidores que preferem colocar todos os ovos na mesma cesta.
Com a devastação dos mercados, seja renda variável, commodities, imóveis ou títulos de renda fixa, todos estiveram suscetíveis a baixas recentemente. Por outro lado, há quem defenda que não foi um problema da diversificação em si: “Ano passado, a diversificação proporcionou pouca proteção, pois quase todas as classes de ativos estavam supervalorizadas”, argumenta Bem Inker, gestor da Evergreen Asset Allocation Fund, ao portal The Street.
Rico com todos os ovos em uma cesta
A explicação de Inker converge para outra estratégia de investimento, o value investing. Diversificada ou não, a estratégia é buscar ativos com múltiplos baixos, ações cujo preço apresenta desconto em relação ao valor intrínseco da empresa em questão.
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Investidores famosos como Warren Buffett e Jim Rogers, presidente da Rogers Holdings e fundador do fundo Quantum com George Soros, também servem de argumento contra a estratégia de diversificação. “O caminho para ficar rico é colocar todos os ovos na mesma cesta, mas olhar esta cesta com muito cuidado. E ter certeza que você tem a cesta certa”, define Rogers. “Henry Ford nunca diversificou, Bill Gates não diversifica”.
Estratégia conjunta
Voltando à teoria de Markowitz, o portfólio eficiente é aquele em que nenhum retorno adicional é esperado sem elevar o risco de seu portfólio, ou nenhuma diversificação adicional pode reduzir o risco da carteira para determinado retorno esperado. Cada vez mais, o retorno esperado depende da qualidade do ativo.
“Há uma infinidade de alternativas e investimentos mais exóticos, especialmente com retorno potencial de médio prazo. Mas os benefícios da diversificação não devem ser exagerados, e estimativas quantitativas de risco precisam ser combinadas com avaliações qualitativas”, pondera Shane Oliver, da AMP Capital.