Com economia deteriorada, Relatório de Emprego dos EUA promete forte impacto

Sul América acredita que trajetória de gradual retração deva se manter; Commonwealth também projeta pessimismo

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SÃO PAULO – Depois de mais uma sessão de expressivas perdas à renda variável no encalço das tensões quanto à eficiência do plano socorro ao sistema financeiro norte-americano, as atenções dos investidores se voltam à divulgação do Relatório de Emprego (Employment Report) dos EUA, indicador que geralmente exerce forte influência sobre o humor dos investidores. Na maior parte de suas recentes publicações, para o lado negativo.

Previsto para a próxima sexta-feira, o anúncio ganha peso adicional diante das incertezas quanto à aprovação do pacote anti-crise, que agora já envolve US$ 850 bilhões, além das tensões quanto aos impactos da crise financeira sobre a economia do país, evidenciados nesta sessão pelos indicadores aquém das expectativas.

O enfraquecimento do mercado de trabalho, já verificado através do ADP Employment, é corroborado ainda pela divulgação do Initial Claims que, por sua vez, registrou um acréscimo no número de pedidos de auxílio-desemprego na última passagem semanal nos EUA.

Trajetória de gradual enfraquecimento

Conforme análise da Sul América Investimentos, o relatório deverá manter a trajetória de gradual enfraquecimento. Segundo as projeções, a economia deverá fechar postos de
trabalho pelo nono mês consecutivo, estimando a demissão de 100 mil trabalhadores em setembro, contra 84 mil em agosto.

E ainda acreditam que a média trimestral registrará -78 mil vagas, contra -62 mil na
média dos três meses findos em agosto, reforçando o cenário recessivo que toma conta da economia norte-americana. Para completar, a taxa de desemprego deve permanecer no mesmo patamar do mês de agosto, em 6,1%.

“A intensificação da crise financeira deve acentuar a restrição ao crédito que, somado ao enfraquecimento do mercado de trabalho, impõe severa restrição ao avanço do consumo nos próximos meses”, concluem os analistas.

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Recessão?

Por outro lado, o Credit Agricole sugere que o mercado parece apostar que a rápida piora dos indicadores dessa área pode ter alguma interrupção. Para os analistas, se essa expectativa não for confirmada, ficará ainda mais forte a crença de que os EUA estão, de fato, em recessão.

Já o banco australiano Commonwealth declarou que existem algumas especulações de que as recentes alterações no subsídio para o desemprego possa ter distorcido as dados nos últimos meses. Todavia, frente ao atual cenário, as perspectivas ainda permanecem pessimistas.

Os analistas do banco acreditam que a demanda interna está estagnando, agora que o efeito do alívio nos impostos se dissipou, e as condições de crédito seguem deterioradas, pesando sobre as famílias e empresas.