Análise do Goldman

Com decisão “surpreendente”, BC mostra que não vê com bons olhos ganhos recentes do real

Em comunicado divulgado ontem, o BC disse que serão ofertados em leilão na quinta-feira até 6,3 mil contratos de swap cambial, ante oferta diária de 7 mil contratos desde o início do mês

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SÃO PAULO – O Banco Central anunciou na última quarta-feira redução na oferta de contratos de swap cambial tradicional em leilão para a rolagem do lote que vence em 1º de julho, sinalizando uma redução no ritmo de intervenção no mercado de câmbio.

Em comunicado, o BC disse que serão ofertados em leilão na quinta-feira até 6,3 mil contratos de swap cambial, ante oferta diária de 7 mil contratos desde o início do mês. O swap cambial é um instrumento contra a valorização do dólar: o BC se compromete a pagar ao mercado a variação do câmbio no período de vigência dos contratos, mais um cupom cambial. Como contrapartida, os investidores ficam obrigados a entregar o BC a oscilação dos juros DI. 

A decisão do BC foi vista como surpreendente pelo economista do Goldman Sachs, Alberto Ramos, que destacou que, ao não esperar o fim do mês, a autoridade monetária sinaliza que “não vê com bons olhos os ganhos recentes do real”.

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“Parece que apesar do quadro de inflação muito desafiador, as autoridades não querem cair na velha armadilha de usar o câmbio como instrumento para controle inflacionário”, afirma Ramos. 

Segundo o economista do Goldman, agora parece que está se olhando cada vez mais para o câmbio como um instrumento para ajudar a economia e facilitar o ajuste macroeconômico necessário. “Este é um desenvolvimento muito bem-vindo do ponto de vista macro”, afirma.

E, para Ramos, o real deveria se enfraquecer ainda mais para mover a taxa de câmbio real a um nível que facilite o reequilíbrio necessário da economia e sustente um ajuste ordenado do grande déficit em conta corrente. O desejável para obter o ajuste macroeconômico e a dinâmica de reequilíbrio em andamento, segundo o economista, seria o dólar entre R$ 3,50 e R$ 3,60. Desde a mínima de 2015, quando bateu os R$ 3,29, o real já acumula ganhos de 5,6%.