Com corte da Moody’s, Japão perde rating máximo; quem será o próximo?

Ação da agência alimenta especulações sobre reduções em notas de outros países; rating dos EUA pode estar em risco

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A última agência de classificação de risco, dentre as três maiores dos Estados Unidos, a manter o rating do Japão em “AAA” cedeu às más impressões sobre a capacidade do governo japonês em pagar sua dívida diante do aumento das emissões de títulos públicos no contexto da crise financeira internacional.

Nesta segunda-feira (18), a Moody’s seguiu as ações anteriores de Fitch Ratings e Standard & Poor’s e rebaixou a nota de longo prazo em moeda estrangeira do Japão para “Aa2”. Simultaneamente, a agência elevou a classificação da dívida em moeda local, deixando ambas no mesmo patamar.

No geral, o rebaixamento do rating soberano do Japão foi acatado como uma ação já esperada, não trazendo grandes surpresas ao mercado. “Dado o tamanho do déficit público do Japão, o país obviamente não deveria manter o rating mais alto”, afirmou o economista do Société Générale em Hong Kong, Glenn Maguire.

Ratings ameaçados?

Aprenda a investir na bolsa

Porém, se a medida não surpreende, ela também não passa despercebida. “O movimento para reduzir o rating em moeda estrangeira de títulos públicos do Japão de Aaa abre espaço para especulação sobre se a Moody’s irá adotar ações semelhantes em outros ratings triple-A”, alerta Kenro Kawano, estrategista do Credit Suisse em Tóquio.

Kawano completa afirmando que “com a Moody’s citando a habilidade de financiamento do Japão como seu ponto forte, isso também impulsiona as especulações sobre um corte dos ratings triple-A em países que não podem se financiar sozinhos”. Entretanto, o analista não especula acerca de quais podem ser os próximos países a seguirem o Japão no rebaixamento.

Vale lembrar que há uma semana, o Financial Times publicou um artigo de David Walker, CEO do Peter G. Peterson Foundation, ressaltando os riscos de rebaixamento da nota norte-americana, avaliada em “AAA” desde 1917.

“Como podemos justificar um rating triple-A em uma entidade com um patrimônio negativo acumulado de mais de US$ 11 trilhões e obrigações adicionais fora da folha de balanço de US$ 45 trilhões? Uma entidade que deve reportar um déficit de US$ 1,8 trilhão neste ano e outros déficits de trilhões de dólares nos próximos anos?”, argumenta o economista.

A lista dos ‘triple-A’

Cada agência tem sua própria classificação, que difere das demais. Porém, é possível separar um grupo de países que possuem o rating máximo dado pelas três instituições, tanto em moeda estrangeira quanto local.

São eles: Áustria, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Singapura, Suécia, Suíça, Reino Unidos e Estados Unidos.

PUBLICIDADE

Embora o rating de muitos desses países seja colocado em dúvida pela comunidade econômica, vale lembrar que todos eles possuem perspectivas estáveis de acordo com as três agências, Fitch, S&P e Moody’s.

Impactos no mercado

Mesmo que haja uma redução do número de países com rating “AAA” no curto prazo, a expectativa é de que isso não atinja duramente o mercado. “Isso tem um potencial de agregar volatilidade limitada ao mercado, já que nenhum desses países deixará de ser investment grade”, declara o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Silveira.

Segundo ele, a própria credibilidade das agências de risco está um pouco abalada, de forma que um movimento de corte em ratings de países classificados como triple-A não estará entre as notícias mais importantes para definir um comportamento do mercado.