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Com commodities e juros em alta, dólar pode cair para R$ 5 em 2021, diz CEO do BNP Paribas

Em entrevista ao Radar InfoMoney, CEO faz projeções para a economia, prevê recuperação na popularidade de Bolsonaro e população vacinada no 3º trimestre

Dólar (Shutterstock)
Dólar (Shutterstock)

SÃO PAULO – Com a demanda por commodities aquecida e o início do ciclo de alta dos juros, o dólar pode se enfraquecer ainda mais e cair para R$ 5 até o fim do ano na opinião de Ricardo Guimarães, CEO do banco BNP Paribas no Brasil.

Em live do programa Radar InfoMoney, o CEO afirmou que, historicamente, sempre que as commodities se fortaleciam o real acompanhava o movimento e subia frente ao dólar. Como o Brasil exporta muitas commodities, os preços elevados aumentam as receitas de exportação e, com mais dólares entrando no país, o câmbio recuava.

“Nesse último ano, nós vimos uma quebra desse padrão. As commodities continuaram subindo do começo da pandemia até hoje e o real era uma moeda que não estava se beneficiando do dólar mais fraco globalmente”, diz Guimarães.

Segundo o CEO, a explicação para a quebra do padrão foram os juros baixos, com a Selic chegando a 2% ao ano, o menor patamar da atual série histórica do Banco Central, iniciada em 1999, quando o país adotou o regime de metas para inflação. Com a taxa nas mínimas, o Brasil não oferecia um prêmio suficiente para atrair recursos estrangeiros, frente ao risco do país.

“A partir do momento em que o BC muda um pouco a instância da política monetária e começa a sinalizar que vai ter uma volta, pelo menos parcial, da normalização das condições monetárias, o país volta a ter um balanço melhor no carrego de risco e o real volta a responder mais”, diz o CEO. Como consequência, o dólar caiu do patamar dos R$ 5,70, que vinha operando nos últimos meses, para o nível atual, próximo aos R$ 5,25.

Para Guimarães, as perspectivas são de mais queda, com as commodities ainda em alta até o final do ano e com mais aumento de juros.

“O Banco Central vai continuar elevando juros, ou para retirar parcialmente a acomodação monetária, ou mesmo para fechar esse gap completamente, e vai acabar entregando um pouco mais de juros do que está comunicando hoje. Com isso, vai levar o real a se valorizar a R$ 5 até o fim do ano. Lógico que isso não vai ser linear, o mercado ainda está bastante volátil, então vamos ver a moeda subindo e descendo, mas acreditamos que no fim do ano o dólar fique bem próximo a R$ 5”, diz.

Para os juros, a perspectiva de Guimarães é de que a Selic chegue a 6,5% até o fim de 2021, acima da projeção do mercado, de 5,5%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. O CEO também prevê um IPCA acima das expectativas do mercado, encerrando o ano em 6%, ante os 5,15% do Focus. Ele espera ainda que o PIB avance mais de 4% em 2021, contra os 3,45% esperados pelo mercado.

Bolsa

Diante da expectativa de que os preços das commodities se mantenham elevados – com problemas na cadeira de suprimentos ainda sustentando as agrícolas e investimentos em infraestrutura na reabertura das economias favorecendo as metálicas – Guimarães também espera que a Bolsa siga subindo neste ano.

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“Empresas como Petrobras, Vale e Suzano têm um forte peso no Ibovespa e como vamos continuar vendo esse ciclo de valorização, o Ibovespa vai continuar sendo sustentado pelas commodities. Dois fatores vão levar a Bolsa a performar bem: as commodities e a inflação mais forte, que eleva a busca por ativos reais – e Bolsa não deixa de ser ativo real no final do dia”, afirma o CEO do BNP.

Ele acrescenta que a Bolsa já retomou os níveis pré-pandemia em termos nominais, mas em dólar ainda está defasada. “Estamos vendo no mundo todo bolsas testarem novas máximas. Aqui no Brasil, quando começarmos a ver uma certa normalidade, tem espaço para a Bolsa performar. É a mesma história que está acontecendo na Europa, Ásia e nos Estados Unidos”, diz.

Popularidade de Bolsonaro recuperada

Mesmo que a previsão do Ministério da Saúde, de 400 milhões de doses de vacinas disponíveis no segundo semestre, não se concretize, Ricardo Guimarães acredita que a partir do terceiro trimestre países da Europa e os Estados Unidos terão um excedente de vacinas, que devem ser liberadas para emergentes. Além disso, com acordos com novos laboratórios, o Brasil deve ficar menos dependente das vacinas CoronaVac e Oxford.

Portanto, a previsão do CEO é de que a maior parte da população brasileira estará imunizada no terceiro trimestre de 2021 e a economia já terá voltado a uma certa normalidade até lá.

Diante desse cenário, a despeito do que muitos analistas políticos e economistas argumentam, Guimarães acredita que o risco político atualmente é baixo e a Bolsa não deve sofrer solavancos trazidos pelo noticiário em Brasília.

“Em um cenário onde economia volta a crescer e a população está vacinada, eu acho que o governo vai ter uma vantagem na eleição. Não quero dizer que ele está eleito, mas acho que tem uma recuperação na popularidade presidencial. Aí você entra, realmente, com o presidente Bolsonaro muito competitivo contra, provavelmente, outro candidato competitivo do outro lado. Mas acho que tem uma eleição disputada em 2022 e o cenário se desenvolve ao redor disso”, diz o CEO do BNP.

Com o teto de gastos mantidos, ele também vê o risco fiscal sob controle. Guimarães não acredita que a agenda de reformas deve avançar muito no atual governo, mas não acha improvável que reformas tímidas sejam realizadas, como seria o caso de uma Reforma Tributária fatiada, ou uma Reforma Administrativa mais enxuta.

Veja a seguir a entrevista na íntegra, com mais detalhes sobre o que o CEO espera das eleições de 2022; os riscos de superaquecimento nos Estados Unidos e na China e seus impactos sobre a Bolsa; e quais são as maiores oportunidades de investimento globais no cenário atual.

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