Publicidade
SÃO PAULO – Em outubro, as micro e pequenas empresas paulistas apresentaram queda de 9,8% no faturamento real em relação ao mesmo mês do ano passado. A receita total das 1,3 milhão de MPEs paulistas foi de R$ 22,6 bilhões, cerca de R$ 2,5 bilhões menos que o mesmo período de 2007.
O setor do comércio foi o que apresentou a maior retração (-15,1%), na mesma base comparativa, seguido da indústria, que recuou 9,6% no mesmo período. O setor de serviços foi o único a registrar aumento no faturamento: de 3%, na comparação de outubro de 2008 com outubro de 2007.
Essas foram as principais constatações da pesquisa Indicadores Sebrae-SP, realizada em outubro, em parceria com a Fundação Seade, e divulgada nesta quinta-feira (4). A pesquisa monitora mensalmente o desempenho de 2,7 mil MPEs em todo o estado.
Retração na demanda: consumidor mais precavido
Para o gerente do Observatório das MPEs do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, o comportamento dos consumidores, diante da crise financeira internacional, pode explicar a queda no comércio atacadista e de bens de valor elevado, assim como em setores específicos da indústria, como o de bens de capital e o de bens duráveis.
“Os setores mais afetados são aqueles que foram mais atingidos pela escassez de crédito no início da crise, bem como pelo temor dos consumidores de assumir novos compromissos financeiros de longo prazo”, analisa. Mas o aumento da inflação também pesou (entre outubro do ano passado até o mês de análise, a alta do índice havia sido de 5,77%).
Setor de serviços
Surpreendeu o resultado do setor de serviços, que, na contramão dos demais segmentos, registrou aumento de 3%, graças aos serviços prestados às empresas – como de contabilidade, advocacia, publicidade e segurança – e ao consumidor final. Foi importante para esse resultado o aumento no nível de pessoas ocupadas.
Continua depois da publicidade
Para o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, o aumento no faturamento do setor de serviços, que representa cerca de um terço das pequenas empresas, indica claramente que os setores estão reagindo de forma diferente em meio à crise. O problema estaria mais restrito às empresas que dependem de crédito.
“Parte da indústria e do comércio, que trabalham com produtos que dependem mais de financiamento, aparentemente sentiram a restrição ao crédito, o que já era esperado. Mas o setor de serviços, que não depende tanto de financiamento, seguiu em expansão. Isso é um sinal de que a crise internacional pode ter um efeito no Brasil menor do que alguns analistas imaginam”, avalia Tortorella.
Comparação mensal
Na comparação de outubro com setembro, a queda no faturamento das MPEs foi de 1,4%, o que representou uma perda de R$ 311 milhões no caixa das empresas. Por setores, indústria (+5,3%) e serviços (+2%) apresentaram crescimento no faturamento real, enquanto o comércio (-5,2%) obteve redução na receita real ante o mês anterior.
Continua depois da publicidade
Otimismo se mantém
O faturamento menor, tanto na comparação anual quanto na mensal, não foi suficiente para reduzir as boas expectativas dos empresários. Uma pesquisa de opinião realizada no mês passado com 2,7 mil empresas de micro e pequeno porte, mostra que 57% dos empreendedores acreditam na melhora do faturamento nos próximos meses, enquanto 36% apostam na manutenção de receita.
Empreendedores também continuam otimistas com relação à economia brasileira: 54% acreditam na melhora. Para o gerente de Observatório das Micro e Pequenas Empresas, “como esta pesquisa foi realizada durante o mês de novembro, pode ser um indício de que o movimento de clientes se recuperou frente ao mês de outubro, tendo em vista as compras de final de ano”.
Já na avaliação de Tortorella, as expectativas identificadas neste último levantamento mostram que o fator renda, expresso pelo aumento do emprego e da massa de salários totais pagos na economia ocorrido nos últimos meses, pode acabar atenuando no curto e médio prazos os problemas na área de crédito.