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SÃO PAULO – Após quase dois meses, o dólar comercial volta a ser cotado próximo dos R$ 2,30 nesta terça-feira (5). Diferente do que ocorreu nos meses anteriores, o principal fator para a disparada da moeda norte-americana, que já subiu mais de 5% nas duas últimas semanas, não está nas declarações ou comunicados do Federal Reserve, mas sim no pessimismo em relação ao cenário nacional.
O dólar comercial fechou com alta de 1,98%, cotado a R$ 2,2887 na compra e R$ 2,2893 na venda. Em sua máxima do dia, a moeda chegou a avançar 2,10%, atingindo R$ 2,2920 na venda. A última vez que a divisa atingiu um valor acima de R$ 2,30 foi no dia 11 de setembro.
Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o mercado já passa por um momento de aversão ao risco devido à falta de sinalização do Fed sobre quando começará a retirar os estímulos à economia. Porém, nos últimos dias, a decepção dos investidores com a economia brasileira passou a pesar nos investimentos.
“Nas últimas semanas a expectativa era de grandes entradas de dólares no mercado, mas elas acabaram não se concretizando, o que, além de diminuir a liquidez também traz pessimismo pela indicação de falta de novos investimentos estrangeiros”, explica Galhardo.
Outro fator que pesou bastante no sentimento dos investidores foi o resultado fiscal do governo, divulgado no último dia 30. O País mostrou déficit primário de R$ 9,048 bilhões – o pior resultado para meses de setembro desde o início da série histórica. Com isso, dificilmente o Brasil irá atingir sua meta ajustada para o ano de 2013.
“Soma-se a tudo isso, o fluxo cambial negativo, a balança comercial deficitária e a alta de juros indicada pelo presidente do Banco Central. O lado interno não está ajudando”, afirma o gerente da Treviso.