Com cenário externo incerto, mercado celebra medidas de estímulo do Governo

Para analistas, maior efeito será verificado no mercado financeiro e de capitais; todos os setores e empresas serão beneficiados

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SÃO PAULO – As medidas do Governo anunciadas na véspera pelo ministro da fazenda Guido Mantega foram consideradas pelos analistas de mercado uma combinação de estímulo ao consumo, desoneração na formação de preços e no movimento de entrada de capitais.

Com um impacto estimado pelo Governo de R$ 1 bilhão no que se refere aos recursos fiscais, “o efeito sobre a atividade pode ser razoável, embora o maior efeito seja aquele verificado no mercado financeiro e de capitais”, explicam os analistas da corretora do Banco Fator.

Esta é a mesma opinião da Ativa Corretora. “Estas medidas, anunciadas um dia após a decisão de mais um corte de juros pelo Banco Central, evidenciam o esforço promovido pelo Governo para estimular o crescimento econômico em 2012, diante do cenário internacional conturbado. Em seu discurso, Mantega deixou espaço para anúncio de novas medidas de incentivo caso seja necessário”.

Por sua vez, a redução do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) no crédito para pessoa física de 3% para 2,5% ao ano parece ser o início de ajuste fino daquela medida macroprudencial do começo do ano. “Sobre tal ajuste, pode-se dizer que mais será feito se for considerado necessário. Mas cabe lembrar também que os juros são mais potentes para reduzir a demanda do que para estimulá-la”, lembra a Fator.

Para a mesma corretora, mesmo no caso da contenção, a alíquota de 3% no início do ano foi considerada praticamente irrelevante por muitos críticos das medidas macroprudenciais. “A moda era calcular seu efeito sobre a prestação da geladeira para mostrar o pequeno impacto sobre as prestações”.

Reação do mercado
Neste sentido, a reação dos ativos brasileiros ao anúncio das medidas foi a esperadana véspera ao apontar DIs em alta, Ibovespa também; dólar para baixo. “Finalmente, a desoneração de operações na bolsa em geral pode trazer alguma melhora no movimento, limitada, entretanto, pelas condições globais”, diz a Fator.

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“Para BM&F Bovespa, o impacto da redução do IOF para estrangeiros em bolsa é positivo, na medida em que minimiza um dos entraves para entrada de estrangeiros no mercado brasileiro, porém lembramos que as demais medidas de cunho cambial estão mantidas”, aponta a Ativa.

Empresas e setores beneficiados
As corretoras sinalizaram ainda os setores que se beneficiarão das novas medidas. “Os ajustes diversos beneficiam setores diferentes como papel sintético, palha de aço, construção civil e farinha de trigo e família”, dizem o analistas da Fator Corretora.

A Ativa completa. “Acreditamos que estas medidas deverão impulsionar as vendas no varejo neste fim de ano e no 1T12, cabendo destacar Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR4), Lojas Americanas (LAME4) como as companhias mais afetadas pela redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para linha branca”.

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No setor têxtil, ente as empresas impactadas por um eventual estímulo ao setor estão as varejistas de vestuário, entre as quais Lojas Renner (LREN3), Marisa (AMAR3) e Guararapes (GUAR4).

“Destacamos ainda a Natura (NATU3), BR Malls (BRML3), Iguatemi (IGTA3) e Multiplan (MULT3), se beneficiando direta ou indiretamente das medidas. A desoneração de IOF do crédito ao consumo somará R$ 130 milhões e o IPI da linha branca, R$ 164 milhões”, afirma o time da Ativa.

Por sua vez, os bancos também deverão ser beneficiados pelo estímulo ao crédito, segundo a Ativa. “Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) são nossas preferências, embora acreditemos que BB (BBAS3) poderá ser mais agressivo na concessão de crédito”.

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Já a redução do RET (Regime Especial de Tributação) será para unidades enquadradas no “Minha Casa Minha Vida” até o valor de R$ 85 mil também foi lembrado, lembra a Ativa. “Ele trará impacto para diversas empresas de construção, entre as quais ressaltamos as empresas mais expostas ao programa, que são: MRV (MRVE3), Direcional (DIRR3) e Rodobens (RDNI3)”, acredita a corretora.

Por fim, os setores de bens de capital e automotivo também se beneficiam indiretamente das medidas, com aquecimento do mercado interno. “Neste caso destacamos a WEG (WEGE3), que fornece motores para produtos de linha branca”.

Paralelamente, medidas como a redução do IOF estimulam o financiamento à pessoa física e um setor diretamente beneficiado e com elevada dependência de crédito é o setor automotivo. “Destaque para Tegma (TGMA3) e Iochpe-Maxion (MYPK3). Finalmente, cabe citar a desoneração do investimento estrangeiro em debêntures emitidos por empresas de infraestrutura, o que poderá ser positivo para ALL (ALLL3) e Santos Brasil (STBP11)”, terminou a Ativa.