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SÃO PAULO – O HSBC cortou nesta quarta-feira (1) o preço-alvo para as ações brasileiras do setor de proteína animal, além de reduzir a recomendação para os papéis de Marfrig e JBS.
Além de revisarem o modelo utilizado para o valuation, os analistas Pedro Herrera, Diego Maia e Ravi Jain acreditam que a fragilidade do setor deve prevalecer, por conta dos elevados preços de insumos e a manutenção de um real forte frente ao dólar.
Os analistas também afirmam que “estratégias de aquisição agressivas deixaram os principais atores do setor altamente alavancados, com capacidade limitada de geração de fluxo de caixa livre”.
Corte de recomendação
No caso de Marfrig e JBS, os analistas acreditam que a elevada alavancagem e as pressões sobre a geração de caixa deverão manter o sentimento negativo de investidores, mantendo suas ações descontadas.
As ações de ambas tiveram suas recomendações cortadas de overweight (performance superior à média do mercado), para neutra – no caso de JBS, e underweight (desempenho aquém da média do mercado), para a Marfrig. “Vemos os investidores em geral pessimistas sobre as alternativas de criação de valor propostas pelas empresas”, disseram os analistas.
Em relação à JBS, o trio de análise considera a ação barata nos níveis atuais – mas, ao mesmo tempo, não vê drivers de curto prazo para o papel, ou mudança no sentimento do mercado em relação à empresa. Já a Marfrig é considerada a mais fraca do setor, com fluxo de caixa livre negativo e alto nível de endividamento, deixando a companhia mal posicionada para qualquer problema no cenário.
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BR Foods é top pick
Apesar dos cortes de target, o HSBC reiterou a recomendação neutra para Brasil Foods e Minerva. A BR Foods, sua top pick, tem fundamentos fortes, mas as questões de aprovação no Cade da fusão entre Perdigão e Sadia devem impedir grandes movimentos da ação por enquanto.
No caso da Minerva, apesar de métricas operacionais positivas, pesam sobre o papel a menor escala e decorrente menor liquidez das ações, além de uma diversificação geográfica limitada. A emissão de debêntures também pode causar diluição e pode impactar o valuation no médio prazo.
| Projeções HSBC | ||||
|---|---|---|---|---|
| Empresa | Preço-alvo (Antigo) | Preço-alvo (Novo) | Recomendação | Upside |
| Brasil Foods (BRFS3) | R$ 35,00 | R$ 33,30 | Neutra | 13,7% |
| Marfrig (MRFG3) | R$ 21,00 | R$ 15,00 | Underweight | 4,9% |
| JBS (JBSS3) | R$ 9,50 | R$ 6,40 | Neutra | 13,1% |
| Minerva (BEEF3) | R$ 8,00 | R$ 6,10 | Neutra | 12,9% |
| Fonte: HSBC Global Research | ||||
Valuation
Além das premissas adotadas, os analistas promoveram as revisões com base na mudança da metodologia utilizada para o valuation. Em vez de utilizar apenas o método do fluxo de caixa descontado, a equipe do HSBC passou a combinar o método com uma análise baseada em múltiplos.
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A nova metodologia “dará uma maior precisão para avaliar não apenas a companhia e os fundamentos do mercado, como também os fatores intangíveis, que crescem em importância”, afirmam Herrera, Maia e Jain.