Com bolsas externas em baixa, risco-País fecha em alta de dois pontos

Líbia e Japão seguem no centro das atenções dos mercados; por aqui, Tombini sinaliza inflação convergindo para o centro da meta

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SÃO PAULO – O indicador de risco-País encerrou esta terça-feira (22) em alta de dois pontos-base, em movimento inverso ao observado na última sessão, atingindo os 174 pontos. O avanço reflete o clima negativo nos principais mercados internacionais, com desânimo decorrente da continuidade dos conflitos na Líbia e o noticiário japonês.

No noticiário do Japão, o anúncio feito pela Tokyo Electric Power de que foi religada a energia elétrica nos reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi contribuiu para aliviar as tensões. Contudo, a restauração dos sistemas de resfriamento foi atrasada novamente, por causa do vapor observado emanando de uma das piscinas de combustíveis já utilizados. 

Além disso, fontes diplomáticas afirmaram que partículas radioativas, supostamente provenientes de Fukushima, foram detectadas na Islândia. No entanto, as autoridades deixaram claro que os traços eram muito pequenos.

Líbia
Nesta sessão, forças leais a Muammar Gaddafi atacaram duas cidades na terceira noite de ataques aéreos em Trípoli. A campanha ocidental começa a enfrentar questionamentos sobre o futuro de sua estrutura de comando, já que as nações ocidentais ainda não decidiram quem controlará as operações depois que Washington se retirar.

Tombini
Por aqui, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira que “a partir do segundo trimestre, a inflação mensal tende a se deslocar para níveis compatíveis com o centro da meta de inflação”, dando sinais de que o ciclo de elevação da taxa Selic pode estar próximo do fim, conforme preveem alguns analistas.

Sem dar muita ênfase a medidas macroprudenciais, o economista reconheceu que frente ao cenário atual cabem ações convencionais para conter a pressão inflacionária, que para ele é oriunda tanto do mercado doméstico quanto do ambiente externo. As afirmações fazem parte de discurso realizado em sessão da comissão de assuntos econômicos do Senado.

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Tombini destacou ainda a importância do setor varejista e de sua conexão com o mercado de trabalho, uma vez que em diversas atividades a escassez de mão-de-obra tem provocado a expansão em excesso da massa salarial, adicionando “pressão na dinâmica dos preços”.

Global 40
O principal título da dívida externa brasileira, o Global 40, encerrou na noite dessa terça-feira em alta de 0,01% cotado a 134,83 centavos de dólar. 

Refletindo o desempenho dos principais títulos da dívida externa brasileira, o indicador de risco Brasil calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan encerrou a 174 pontos-base.

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O que é o risco-País?
Como cada governo que emite papéis no mercado externo em geral tem mais do que um título no mercado, o banco norte-americano JP Morgan decidiu criar um índice que pudesse combinar todos estes papéis e obter um indicador único, que pudesse ser usado como uma medida de risco global. 

Com isso, o JP Morgan criou, no final de 1993, o Embi+ (Emerging Markets Bond Index Plus), ou Índice de Bonds de Países Emergentes, que mede o desempenho de uma vasta carteira de países. Todos os países incluídos são emergentes, excluindo aqueles de risco menor, como muitos dos países da Europa, Ásia e América do Norte.

Além deste índice genérico, o banco criou também um índice para cada país, incluindo apenas títulos do país em questão. Com isso, o JP Morgan criou uma medida de risco-país, que, no caso do Brasil, é medido pelo Embi+ Brasil.