Com bolsa em alta, fundos de ações voltaram a perder recursos em outubro

Com Ibovespa acumulando alta superior a 60% em 2003, saída de recursos dos fundos de ações bate recorde em outubro

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SÃO PAULO – Mesmo com a valorização superior a 60% do Ibovespa em 2003, os fundos de investimentos em ações continuam perdendo recursos, fechando o mês de outubro com uma captação líquida negativa de R$ 485,35 milhões, a maior do ano.

Com mais este resultado negativo, já são dez meses consecutivos de perdas em 2003, levando o acumulado de saídas líquidas a R$ 1,82 bilhão, mais do três vezes maior do que a captação negativa de R$ 683,9 milhões registrada durante o ano de 2002, que foi um período muito ruim para a indústria de fundos de investimentos.

Indústria de fundos se recupera

Mais do que a perda de recursos, a captação negativa dos fundos de ações segue em tendência inversa em relação à indústria de fundos, que mostra uma recuperação significativa em relação às perdas de recursos em 2002, que atingiram R$ 64 bilhões.

Com a captação líquida de R$ 4,78 bilhões em outubro, a nona positiva nos dez primeiros meses de 2003, as captações acumuladas no ano na indústria de fundos já atinge R$ 48,9 bilhões, concentradas principalmente nos fundos de renda fixa e multimercados.

Migração e liquidação de posições

O fraco desempenho em termos de captação dos fundos de ações pode ser explicado por dois fatores principais: a migração de recursos para os fundos multimercados e a liquidação de posição em ações, sobretudo por investidores que conseguiram atingir o break even em suas posições.

Sinais de que uma migração dos fundos, não somente de ações, mas também dos DI, para os multimercados com ações são claros: as categorias de fundos multimercados que podem investir no mercado de renda variável já captaram pouco mais de R$ 9,5 bilhões em 2003.

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Isso significa que muitos investidores, ao invés da aplicação separada em fundos de renda fixa e de ações, estão investindo nos fundos mistos, que podem aplicar tanto em renda fixa como em renda variável. Com isso, estes investidores obtêm um bom potencial de diversificação e deixam a alocação entre renda fixa e ações nas mãos dos gestores, “facilitando” suas decisões de investimento.

Outro fator que vem pressionando os fundos de ações é a liquidação de posições por muitos investidores de renda variável, que após amargarem três anos de perdas no mercado de ações, aproveitaram-se da valorização registrada em 2003 para recuperar total ou parcialmente as perdas e alterar sua estratégia de investimentos.

Movimento pode continuar

Além das perdas passadas, há indícios de que a tendência de saída de recursos dos fundos de ações possa prosseguir nos próximos meses. De fato, as maiores saídas registradas até agora em 2003 foram nas categorias que têm mostrado melhor desempenho em termos de rentabilidade, como os fundos que seguem o Ibovespa, que já perderam R$ 1,06 bilhão no ano.

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Já a maior entre as categorias de fundos de ações, excluindo os fundos fechados, a Ações Outros, mostra saídas de recursos mais tímidas, na faixa de R$ 138,68 milhões, diante de um patrimônio de R$ 6,5 bilhões. Deste modo, caso a alta na bolsa continue, impulsionando também o retorno dos fundos que “ficaram para trás”, a tendência de captações negativas pode prosseguir.