Com baixa captação, fundo Novo Anhembi é desfeito

Fundo conseguiu captar apenas R$ 50 milhões, frente aos R$ 188,5 milhões previstos; mas cotistas foram ressarcidos com dinheiro corrigido

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SÃO PAULO – A indústria de fundos imobiliários ainda caminha a passos bastante lentos no Brasil. A pouca tradição no país aliada ao elevado valor das cotas e a fraca divulgação estão entre as razões que colaboram para inibir os investidores.

O caso mais recente, que ilustra bem a situação desta modalidade de fundos no país, é o encerramento do Fundo Novo Anhembi, criado em junho do ano passado.

Captação atingiu apenas 26,6% do previsto

Desde então, o fundo conseguiu captar apenas R$ 50 milhões, o equivalente a 26,6% dos R$ 188,5 milhões inicialmente previstos. Os recursos seriam destinados para a incorporação e posterior aluguel de um pavilhão de exposições idealizado pela Alcântara Machado Promoções de Negócios e a Construtora São José.

Segundo Jorge Carlos Nunez, da Rio Bravo Investimentos DTVM, administradora dos recursos do fundo, alguns fatores culminaram o encerramento do fundo. Dentre eles, vale citar o aumento da aversão ao risco, em função do período pré-eleitoral, além do fato de o produto ser pouco popular.

Além disso, as seguidas elevações da taxa Selic e o temor dos investidores com a chamada marcação a mercado, que causou pânico entre muitos cotistas quando o Banco Central determinou sua obrigatoriedade, ao final de maio do ano passado, também colaboraram com o encerramento do Novo Anhembi.

Finalmente, Nunez cita o fato da alta do IGP-M como fator que também prejudicou a captação do fundo. Isso porque o investimento mínimo era de R$ 50 mil, mas o valor podia ser dividido em 20 parcelas corrigidas pelo índice de preços medido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). No entanto, a inflação medida pelo IGP-M registrou elevação superior a 25%, principalmente em função do repasse da alta do dólar aos produtos, o que encareceu o valor das cotas.

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Transparência

Apesar do fracasso do Novo Anhembi, todos os 760 cotistas foram ressarcidos, sendo que seus recursos foram devolvidos corrigidos a uma taxa líqüida média de 1,22% ao ano. Nesse sentido, a transparência com que o processo foi conduzido deu credibilidade à indústria de fundos, o que pode ser um fator a atrair mais investidores no futuro.