Com ausência do BC e ingresso de recursos, dólar caiu mais de 4% em maio

Mesmo com forte apreciação na sessão anterior, moeda norte-americana registrou forte perda no acumulado do mês passado

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SÃO PAULO – Mesmo com a forte valorização da última terça-feira, quando a moeda norte-americana registrou sua maior alta frente ao real desde o dia 31 de maio de 2004, o dólar comercial acumulou perdas de 4,35% no mês de maio.

A ausência do Banco Central das negociações do mercado de câmbio e a forte entrada de recursos no país pressionou a moeda norte-americana ao longo do mês passado, a qual atingiu inclusive seu menor patamar desde o dia 30 de abril de 2002, na última segunda-feira.

Ausência do BC

Certamente, a não intervenção do Banco Central tem sido benéfica para a valorização do real. Desde o dia 17 de março, a autoridade monetária não atua comprando dólares e há doze semanas não realiza leilão de swap cambial.

De acordo com analistas, a entidade estaria preocupada com as metas de inflação, não estando interessada em uma escalada do dólar, o que leva o Banco Central a optar pela ausência das negociações no mercado de câmbio.

No entanto, na última terça-feira, o diretor de Política Monetária, Rodrigo Azevedo, afirmou que o Banco Central poderá voltar a atuar no mercado de câmbio, caso as condições se mostrem adequadas. As declarações motivaram a recuperação de parte das recentes perdas da divisa, na sessão anterior.

Entrada de recursos

Além da não intervenção do Banco Central, a entrada de recursos no país é outro fator determinante na recente trajetória descendente do dólar. Até a terceira semana de maio, a balança comercial brasileira havia registrado um superávit acumulado no mês de US$ 943 milhões. Nesta sessão, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciará os dados da balança comercial referente ao mês fechado de maio.

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A entrada de capitais no país não tem sido feita exclusivamente via exportações. A nona elevação consecutiva da taxa Selic, na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que passou de 19,5% para 19,75% ao ano, colabora para o ingresso de recursos e, conseqüentemente, para a queda do dólar.

Captações soberanas

Ainda sob a ótica da entrada de divisas, o Tesouro Nacional realizou duas captações soberanas no mercado internacional, no mês de maio. No último dia 10, foram captados US$ 500 milhões em bônus globais com vencimento em 2019; já no dia 25, a entidade captou mais US$ 500 milhões, dessa vez em títulos com vencimento em 2034.

Com estas duas operações, o Tesouro Nacional já captou, incluindo duas emissões realizadas em 2004, mas contabilizadas na meta de 2005, cerca de US$ 5,5 bilhões dos US$ 6 bilhões planejados para este ano.