Com atuação do BC e Tesouro, dólar cai 3,7% e perde os R$ 4,00; DIs despencam

Moeda desaba no fim do pregão após anúncio de leilões de título do Tesouro e volta a para R$ 3,99

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SÃO PAULO – Em 2 dias o dólar não só superou a marca histórica dos R$ 4,00, como seguiu em disparada e bateu no nível de R$ 4,21 na manhã desta quinta-feira (24). Como já alertavam os especialistas para a forte volatilidade, não foi diferente e a moeda virou para forte queda durante a tarde, encerrando o dia com perdas de 3,73%, cotada a R$ 3,9901 na compra e R$ 3,9914 na venda.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 recuou 88 pontos-base, a 15,67%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 teve queda de 92 pbs, a 16,00%. Ontem, os contratos de juros futuros dispararam, atingindo a maior alta permitida, com os principais DIs subindo cerca de 5%. O DI para janeiro de 2017 subiu 80 pontos, atingindo os 16,55%, se aproximando da maior alta desde outubro de 2008 e o maior patamar desde novembro daquele ano. Enquanto isso, o contrato de janeiro de 2021 avançou para 16,94%.

A expectativa que permeou o mercado hoje era de que o Banco Central pode realizar leilões de dólares no mercado à vista. A possibilidade ganhou força após as declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini. Na máxima da sessão, a divisa chegou a saltar para R$ 4,2491 reagindo também a rumores de que a autoridade teria conduzindo mais cedo pesquisa de demanda por dólares no mercado à vista.

“O mercado tentou como sempre peitar o BC, tanto que logo depois da fala (do Tombini) o dólar explodiu…, depois derreteu”, afirmou o operador de uma corretora nacional, que pediu anonimato, lembrando que o presidente do BC também deixou claro que a taxa básica de juros será mantida no atual patamar de 14,25% por tempo “suficientemente prolongado”.

Após deixar em aberto por várias vezes as insistentes perguntas dos jornalistas sobre o uso das reservas internacionais para conter a alta do dólar, o presidente do Banco Central acabou dando uma sinalização um pouco mais clara a respeito do seu pensamento sobre o uso dessa ferramenta. “As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado”, afirmou durante uma entrevista que surpreendeu os jornalistas por não estar agendada.

Além disso, ele afirmou que o BC tem visto estabilidade nas previsões de inflação para 2016 e que a depreciação cambial dos últimos 12 meses pressiona o nível geral de preços no curto prazo. Tombini afirmou ainda que a atuação da política monetária do governo deve ser tal que não adicione volatilidade ao mercado e reafirmou a estratégia de manter a Selic inalterada por um período prolongado. 

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Apesar da fala ter acalmado o mercado, o professor da FGV, Antonio Carlos Porto Gonçalves, destaca que as reservas do BC não são suficientes para ajustar o mercado. “Fazer o dólar cair não tem como, o que podemos ver são alguns alívios momentâneos. Para resolver a alta da moeda só com o fim da crise”, afirmou. Segundo ele, não há como descartar uma possível disparada do dólar até R$ 5,00.

A moeda norte-americana tem sido pressionada pela deterioração das contas públicas do Brasil e pelas turbulências políticas. Investidores temem que o país perca seu selo de bom pagador por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor’s. Operadores relutavam em estimar até que ponto o dólar deve subir, mas é unânime a percepção de que a moeda deve continuar pressionada. “O mercado está apostando em uma saída de capitais e em mais rebaixamento”, disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

Tesouro fará leilões diários
No fim do pregão ajudou a intensificar as perdas um novo anúncio de leilão de título pelo Tesouro Nacional. A autoridade fará um programa de intervenções no mercado de títulos públicos com o objetivo de conter a forte volatilidade dos juros futuros observada nos últimos dias.

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O Tesouro fará operações diárias de compra e de venda de NTN-Fs entre os dias 25 de setembro e 2 de outubro, com o objetivo de garantir referência de preço aos papéis e também oferecer uma porta de saída àqueles que têm perda com os papéis em carteira. Amanhã, o Tesouro se disporá a recomprar até 1 milhão de NTN-Fs dos vencimentos 2017, 2018, 2019, 2021, 2023 e 2025. Também ofertará até 150 mil papéis dos mesmos vencimentos.

O Tesouro também ofertará, na próxima terça-feira, LFTs com vencimento em 1/9/2021, em leilão extraordinário. Já o leilão tradicional de prefixados (LTNs e NTN-Fs) programado para a quinta-feira foi suspenso.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.