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SÃO PAULO – Enquanto a crise financeira se espalha ao redor do mundo, o que o “guru de investimentos” Warren Buffett faz? Vai às compras no mercado norte-americano. Aliás, mais do que aumentar seus investimentos pessoais nessas ações, o bilionário sinaliza aos demais investidores dos EUA que este é o momento certo para voltar a comprar.
Em artigo escrito nas páginas de opinião do jornal The New York Times, o megainvestidor dá um passo incomum em sua história e opina publicamente sobre o mercado. Ele afirma que está comprado em ações norte-americanas e, caso os preços continuem atrativos, em breve todos os seus investimentos pessoais, antes direcionados a títulos do governo dos EUA, serão nestes papéis.
E por que Buffett faria isso, em um cenário que une deterioração do crédito, problemas no sistema financeiro, no mercado de trabalho e imobiliário? Ele mesmo responde a essa pergunta. “Uma regra simples dita minhas compras: seja cuidadoso quando outros são gananciosos e ganancioso quando outros são cuidadosos”.
E pelo sentimento geral, é óbvio que grande parte dos “outros” já passou do estado de cautela e atingiu o pânico. É claro, e Buffett não nega isso, que os investidores devem estar atentos a entidades altamente alavancadas ou com negócios em fraca posição de competitividade. Porém, atenção também aos fundamentos de algumas empresas: no longo prazo, elas devem mostrar forte recuperação.
Curto prazo é outra história
“Deixe-me ser claro sobre um ponto: eu não posso prever os movimentos de curto prazo dos mercados acionários. Eu não tenho a menor idéia se as bolsas estarão mais altas ou mais baixas dentro de um mês – ou um ano – a partir de agora. O que é provável, entretanto, é que o mercado irá subir, talvez substancialmente, muito antes da elevação da economia ou da confiança”, explica Buffett.
Para o bilionário, é certeza que o mercado irá trazer boas novas no longo prazo. O conhecimento de História ajuda nesta hora Afinal, o índice Dow Jones conseguiu passar de 66 pontos para 11.497 pontos em um século em que os EUA enfrentaram duas guerras mundiais (além de outros conflitos militares caros), a Depressão, cerca de uma dúzia de recessões ou pânico financeiro, choques do petróleo e uma epidemia de gripe.