Com atividade em alta, Relatório de Emprego nos EUA deve mostrar melhora

Bons indicadores sobre indústria e consumo sugerem a criação de 148 mil postos em janeiro, mas desemprego deve voltar a subir

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SÃO PAULO – Para o primeiro mês do ano, o mercado de trabalho norte-americano tende a manter o embalo de criação de vagas visto nos últimos meses de 2010. Com a confiança do consumidor acima do esperado, a indústria ganhando fôlego e os pedidos de auxílio-desemprego em baixa, é esperado um aumento de 148 mil postos nos Estados Unidos, segundo o consenso de mercado divulgado pelo site Briefing.com. 

“Nossa expectativa é de que o mercado de trabalho está ganhando impulso ao lado da economia”, diz a equipe do Bank of America Merrill Lynch. O banco projeta um aumento na folha de pagamentos do setor privado de 135 mil empregados neste último mês, totalizando, com a inclusão do setor público, a criação de 125 mil postos de emprego no país. “A contínua melhora de dados econômicos durante janeiro – especialmente de pedidos de auxílio-desemprego – indica que o crescimento de vagas será maior do que os ganhos inexpressivos de 96 mil postos nos dois meses anteriores”, completa a equipe do banco JP Morgan.

Na última quarta-feira (2), a divulgação do ADP Employment Report, que marca o número de postos mensais criados pelo setor privado no país e é tido como importante prévia para a medição mensal, superou a expectativa do mercado. Foram abertas 187 mil vagas em janeiro, frente a expectativa de 145 mil novos postos. A medição, contudo, ficou abaixo das 247 mil vagas apontadas no mês anterior, segundo dados revisados.

“Porém, dadas as diferenças entre os números do ADP e do Nonfarm Payroll, é incerto o quanto esse dado influenciará as expectativas”, destaca a equipe do Santander em relatório. O banco volta a frisar que, apesar da melhora esperada, puxada pela consolidação da atividade, o estoque de desempregados continua elevado, em um patamar longe de sinalizar uma recuperação.

Saúde é destaque entre criação de postos no setor privado
O consenso de mercado aponta para o aumento das vagas adicionadas pelo setor privado no mês de janeiro. A estimativa compilada pelo site Briefing.com aponta para 163 mil novas vagas, enquanto o JP Morgan projeta uma contribuição de 155 mil novos postos. A estimativa menos otimista pertence ao BofA ML, que projeta a abertura de 135 mil vagas nas empresas privadas. 

Na divisão por setores, o segmento de saúde guarda a expectativa de adição de 35 mil novos postos, enquanto o varejo deve ter contribuído com 10 mil vagas. A indústria fica com a projeção de 20 mil novos postos, enquanto a construção civil pode ser a responsável pela perda de 15 mil vagas, diz o JP Morgan.

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Nevascas em muitas regiões no país durante a pesquisa de emprego podem ter impactado alguns projetos imobiliários, segundo o banco. Já em outros segmentos, o impacto do mal tempo tende a ser restrito.

Em relação aos trabalhos temporários, a expectativa de Michael Feroli e Daniel Silver é de uma contribuição pouco significativa, ao contrário dos períodos anteriores. “Em dezembro, as adições foram moderadas, já que somente 7 mil profissionais e empregos de serviços foram acrescentados durante o mês; esperamos uma alta similar em janeiro”, completam os analistas em relatório do JP Morgan. 

Setor público
O governo federal pode ter contribuído com o fim de 15 mil vagas em janeiro, segundo o consenso de mercado, acima das 10 mil vagas fechadas no mês anterior. Os efeitos das descontratações do Censo, por sua vez, seguem cada vez mais diluídos.

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Desemprego estrutural volta a preocupar
O aumento do emprego no mês não deve garantir a redução da taxa de desemprego. Ao contrário, a expectativa é de uma leve alta de 0,1 ponto percentual, para 9,5% em janeiro. “Na divulgação anterior, a queda de 0,4 pontos percentuais deveu-se mais à queda no número de pessoas procurando emprego que, necessariamente, por um aumento de ocupação. Parte deste movimento deve ser revertido no mês”, aponta o Santander.

Enquanto isso, as preocupações com o desemprego estrutural voltam à tona. A duração do desemprego tem se mantido estável em 34 semanas, um patamar historicamente alto. Desde o início da série até agosto de 2008, a média de desemprego era de 13,5 semanas. Já ao longo dos anos 2000, de 16,7 semanas, tempo significativamente menor do que o apurado recentemente.

“Um extenso período de desemprego diminui as habilidades do trabalhador e aumenta a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho”, explica o Santander. Assim, mesmo com a atividade do país em crescimento, a previsão é de que o desemprego permaneça elevado por um certo tempo nos Estados Unidos.

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O relatório 
O Employment Report ainda é composto por ganho por hora trabalhada – projeção de aumento de 0,2% para janeiro, 0,1 ponto percentual acima da medição do mês anterior; e pela média de horas trabalhadas – estimativa de 34,3 horas, em linha com o registrado em dezembro.