Com alta de quase 30% no ano, Positivo (POSI3) mostra acertos na mudança de rota

Concorrência com estrangeiras motivou reinvenção da companhia brasileira, com aposta em serviços e no mercado corporativo

Camille Bocanegra

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Há tempos que a Positivo (POSI3) não vem sendo mais lembrada apenas como a marca do primeiro computados dos brasileiros – já que sempre atuou em uma faixa de preços mais acessíveis e competitivos, na disputa da fatia de mercado contra estrangeiras, como Dell, Lenovo e HP. Outra mudança veio no nome. Deixou de ser Positivo Informática, para Positivo Tecnologia.

Essas mudanças de rumos vêm, agora, aos poucos trazendo resultados, com uma maior diversificação de linha de negócios – saindo apenas de computadores, como notebooks e desktops – para ganhar relevância no setor corporativo e de governo. Além disso, tirou seu foco de produtos, para serviços e soluções.

E o mercado, ao que tudo indica, vem percebendo esta mudança. Após fechar o ano de 2023 com queda, os papéis da companhia apresentam alta de quase 30% neste ano. Enquanto isso, só em julho, as ações sobem mais de 10%, refletindo o melhor momento da companhia, na visão do mercado.

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Positivo (POSI3): redução de dependência de produtos

A companhia percebeu, ainda lá atrás, o risco existente na dependência da venda de produtos, de acordo com Ivair Rodrigues, especialista da consultoria IT Data. Conforme ele, isso se tornava ainda mais presente considerando a disputa de mercado com players internacionais. Por isso, a Positivo passou a fazer movimentações de diversificação de receita.

As novas iniciativas se voltaram para produtos como smartphones, por meio da empresa chinesa Infinix, e servidores. Rodrigues destaca também a compra de empresa do segmento de segurança de informação e a virada com a aquisição do braço de TI da Algar Tech.

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“Aqui a gente não está falando mais de vender produto. Estamos falando de vender soluções, vender o serviço e tudo mais”, comenta o especialista.

A dependência do segmento varejista causava também volatilidade de receita, de acordo com Felipe Moura, analista da Finacap.

O analista ressalta que a oscilação das ações foi alta durante a pandemia, quando as vendas do varejo apresentaram salto. Entre 2020 e meados de 2022, Moura destaca que a Positivo apresentou receitas recordes no segmento, justamente pelo movimento de composição de infraestrutura de tecnológica pessoal.

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“A companhia teve uma decisão extremamente acertada. E eles já vinham fazendo isso desde a época da pandemia, ao migrar a demanda deles justamente para o cliente corporativo, que tem uma procura muito mais resiliente e sempre precisa renovar a parte tecnológica e a infraestrutura – porque é o dia-a-dia deste tipo de cliente”, comenta Moura.

Virada com Algar Tech

Por mais que a companhia tenha seu reconhecimento tanto no varejo quanto em contratos com governo (como fornecedora de urnas eleitorais, por exemplo), a Positivo agora quer ser vista por seus serviços e soluções, explica Luiz Guilherme Palhares, diretor de relações com investidores da companhia.

“Estamos hoje executando todas essas avenidas, das quais, com mais destaque hoje, é essa parte de serviços. Temos um grau de confiança muito grande, porque nós profissionalizamos, nós trouxemos gente do mercado muito qualificada para assumir essa área corporativa”, diz.

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Segundo ele, a empresa não apenas passou a vender produtos para empresas: “Nós organizamos uma estrutura interna para atender voltada às necessidades dessas empresas, pela da ótica de produto ou de serviços, que a gente hoje consegue customizar”, destaca.

O diretor afirma que a aposta na divisão de serviços também permite a obtenção de receitas recorrentes. Palhares explica que a relação com cliente passa a ser em contrato relacional de 3 a 5 anos, garantindo as necessidades em primeira mão.

“Essa receita recorrente tem uma rentabilidade melhor do que a venda simplesmente de dispositivos. E ela exige um capital de giro menor também. Então, a frente de serviços é importante para a estratégia sobre a ótica do desempenho financeiro”, aponta.

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Diversificação e equilíbrio

A diversificação das receitas permitiu, de acordo com o diretor, que a companhia se mantivesse firme após o boom de vendas na pandemia e imediatamente após. Em 2022, a Positivo se preparou para demanda que não veio. E, graças aos negócios com governo e o restabelecimento da divisão corporativa, a companhia se reequilibrou.

“A diversificação permitiu que a gente, apesar de uma das principais verticais do nosso negócio estar sofrendo, as outras duas superaram as expectativas e compensaram esse efeito”, afirma Palhares.

Em 2024, o cenário é parecido, com alguns segmentos da companhia melhores do que outros, mas em busca do equilíbrio. O objetivo, no momento, é que o segmento de empresas passe a ocupar espaço maior na receita. A estimativa é que a antes prevalecente frente de varejo passe a corresponder por cerca de 20% a 25% da receita.

“Quanto mais necessidades as empresas têm de se adaptar às novas tendências, às novas revoluções tecnológicas, mas elas precisam de um parceiro capaz de ajudá-los a navegar essas transformações, e a gente quer se especializar nisso, a gente vem se especializando nisso, em ser o parceiro das empresas com soluções One Stop Shop, ou seja, um lugar onde você pode acessar tudo o que você precisa”, afirma.

Empresa “madura”

O momento atual da companhia, de acordo com Moura, é de maturidade. “A sensação que eu tenho é que o mercado não entende direito o negócio da Positivo. Os múltiplos que ela negocia hoje não refletem toda essa melhora que a gente pode ver aí, desde a pandemia”, afirma. O analista reforça que a empresa, hoje, se apresenta com qualidade de receita muito melhor, em especial por menor volatilidade.

“Atendendo um segmento com muita perspectiva, eu acho realmente que a empresa tem espaço para reprecificar esse valuation”, conclui.