Bolsa

Com alta de quase 2%, Petrobras puxa Ibovespa e índice tem alta de 0,23%

Índice fechou em alta puxado por Petrobras; notícias sobre visita da Moody's ao Brasil agitaram cenário doméstico, assim como dados de vendas do varejo nos EUA e Brasil

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SÃO PAULO – O Ibovespa, que prometia uma sessão de queda, encerrou o pregão desta sexta-feira (14) com uma alta de 0,23%, a 53.239 pontos. O índice foi puxado pela Petrobras (PETR3, R$ 13,516, +1,81%PETR4, R$ 12,008, +1,52%), que se recuperou após um dia de volatilidade para o preço do petróleo depois do acordo nuclear do Irã com seis potências mundiais. Após cair 2% mais cedo, o preço do brent fechou em alta de 0,928%, a US$ 58,38 o barril. Enquanto as ações da Petrobras se recuperaram, Vale e siderúrgicas tiveram um dia de fortes quedas.

Já o dólar teve alta de 0,24% e fechou cotado a R$ 3,137 na compra e R$ 3,138 na venda, queda ainda menor que no último pregão quando caiu 0,95% e fechou cotado a R$ 3,158 na compra. As principais bolsas norte-americanas fecharam em alta.

No cenário externo, destaque para a expectativa sobre a possibilidade de o Parlamento grego aceitar as condições de austeridade previstas no acordo assinado ontem com os credores. Na Europa, as principais bolsas fecharam com leves ganhos pelo quinto pregão consecutivo, com o mercado avaliando que o Parlamento grego deverá passar as medidas para assegurar o terceiro pacote de ajuda e a confiança dos investidores de que a Grécia aprovará as reformas para obter o novo resgate.

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No cenário doméstico, a expectativa fica com a chegada da agência de classificação de risco Moody’s amanhã, enquanto o mercado repercute os dados de vendas no varejo no Brasil e nos EUA. Nos EUA, o dia é de leve alta para as bolsas após os dados do varejo piores do que o esperado, sugerindo que o Federal Reserve pode adiar a alta de juros. 

Ainda por aqui, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s, reiterou os ratings BBB- da Petrobras com perspectiva negativa. Os ratings continuam a refletir a visão da S&P de um risco “muito alto” do governo fornecer suporte em tempo hábil e suficiente para as obrigações financeiras da empresa, disse a S&P em relatório.

Altas do dia
As ações da Eletrobras (ELET3ELET6) fecharam entre as cinco maiores altas do índice hoje, com altas de 3,87% e 4,27%, cotadas a R$ 6,17 e R$ 9,04, respectivamente.

No cenário da companhia, está a notícia sobre o suposto envolvimento de um diretor no esquema de propina investigado pela Operação Lava Jato, que foi negado pela estatal.

O dono da UTC, Ricardo Pessoa, teria dito, em depoimento de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, que o diretor de Geração da Eletrobras, Valter Luiz Cardeal, exigira doações ao partido durante negociações do contrato para construção da usina nuclear de Angra 3. “Já houve o afastamento do presidente de Angra 3 e a Eletrobras contratou um escritório para fazer uma auditoria pericial em todos os contratos do projeto, conforme já tinha sido anunciado anteriormente”, disse o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.

A companhia informou hoje que não foi intimada sobre qualquer processo de investigação no âmbito do escândalo. O comunicado foi publicado em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre reportagem da revista Veja citada pelo jornal Folha de S.Paulo segundo a qual o empresário Ricardo Pessoa da construtora UTC teria dito aos procuradores que um diretor da Eletrobras sugeriu que desse ao PT parte do que esperava ganhar num contrato da estatal com a construção da usina nuclear Angra 3.

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As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia
 ECOR3ECORODOVIAS ON7,55+4,86
 ELET6ELETROBRAS PNB9,04+4,27
 ELET3ELETROBRAS ON6,17+3,87
 OIBR4OI PN5,56+3,35
 SBSP3SABESP ON17,81+3,01

As baixas da Bolsa
As ações da Vale (VALE3, R$ 17,82, -3,68%VALE5, R$ 14,86, -3,26%), fecharam em queda após terem disparado na véspera. O diretor da Vale do negócio de metais ferrosos, Peter Poppinga, disse ontem que a companhia vai começar a retirar a partir deste mês 25 milhões de toneladas de sua oferta de minério de ferro, mas manteve inalterada sua oferta da commodity em 340 mil toneladas em 2015. Em relatório, o Morgan Stanley disse que essa decisão de substituir o minério de alto custo/menor qualidade por de menor custo/maior qualidade seja positiva e se reflita em maior Ebitda/tonelada, ele pode ter um efeito nulo ou até negativo sobre os preços globais do minério.

As ações das siderúrgicas deixaram para trás os fortes ganhos da véspera e caíram hoje: Gerdau (GGBR4, R$ 6,52,-7,25%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,68, -10,52%), Usiminas (USIM5, R$ 4,27, -1,39%) e CSN (CSNA3, R$ 4,77, -1,85%). O Instituto Aço Brasil refez suas estimativas para o desempenho do setor neste ano. Segundo o estudo, a produção de aço bruto deverá mostrar uma queda de 3,4% sobre o ano passado, contra uma estimativa anterior de alta de 6,4%. 

Sobre a Gerdau, que figurou como a maior queda do índice, a companhia anunciou nesta terça-feira uma reestruturação dos negócios nas Américas, com redistribuição das operações em três divisões para América do Norte, América do Sul e Brasil. Para simplificar e unificar as participações societárias na companhia fechadas da Gerdau S.A. no Brasil, o conselho de administração da empresa aprovou a compra de fatias minoritárias na Gerdau Aços Longos, Gerdau Açominas, Gerdau Aços Especiais e Gerdau América Latina Participações, por um total de R$ 1,986 bilhão. As aquisições permitirão à Gerdau S.A. deter mais de 99% do capital total de cada uma das controladas.  

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia
 GOAU4GERDAU MET PN4,68-10,52
 GGBR4GERDAU PN6,52-7,25
 BRAP4BRADESPAR PN9,89-3,98
 SUZB5SUZANO PAPEL PNA15,04-3,84
 VALE3VALE ON17,82-3,68

Moody’s e meta fiscal
No Brasil, o cenário também foi bastante movimentado, em meio à expectativa pela visita da agência de classificação de risco Moody’s ao Brasil amanhã, quarta-feira (15). Segundo o jornal Valor Econômico, a equipe econômica, convencida de que rebaixamento do rating pela Moody’s é inevitável, aposta nas medidas de ajuste fiscal para impedir que downgrade venha acompanhado de viés negativo. A tarefa de convencimento não será fácil, destaca o jornal citando fontes, que atribuem situação ao cenário político que dificulta aprovação das medidas do ajuste e o baixo crescimento econômico.

Ainda no campo econômico, pelo menos por enquanto, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu evitar a admissão oficial de que o superávit primário de 1,13% do PIB (cerca de R$ 66,3 bilhões) prometido para este ano não será alcançado, como é voz corrente tanto entre analistas privados quanto entre membros do próprio governo. Ele bloqueou a redução imediata da meta, como defendida, entre outros, pelos ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

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Chamou atenção ainda a expectativa pela votação do projeto da diminuição das desonerações. “Se mudar o texto, a votação fica para agosto”, afirmou o líder do governo no Senado, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Entre os dados econômicos, chamaram a atenção as vendas no varejo em maio: as vendas caíram 0,9% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 1,00% até uma alta de 0,60%.

Vendas no varejo
Já as vendas no varejo dos Estados Unidos caíram inesperadamente em junho com famílias diminuindo compras de automóveis e uma série de outros produtos, o que pode levantar receios de que a economia está desacelerando novamente. O Departamento do Comércio informou nesta terça-feira que as vendas no varejo recuaram 0,3% no mês passado, a leitura mais fraca desde fevereiro. Os números do varejo em maio foram revisados para baixo para mostrar uma alta de 1%, em vez do salto informado anteriormente de 1,2%.

Por aqui o recuo foi de 0,9% nas vendas do varejo restrito em maio ante abril é o mais intenso para o mês desde 2001, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2001, a queda também foi de 0,9%, segundo o instituto. Já a queda de 4,5% nas vendas em relação a maio de 2014 foi a maior, considerando todos os meses, desde agosto de 2003 (-5,7%). Levando em conta apenas os meses de maio, a retração foi a mais intensa desde 2003 (-6,2%).

(Com Reuters)